
A divulgação mais recente dos dados de comércio exterior dos EUA — atrasada devido a paralisações administrativas — traz informações sobre as importações e exportações de carne bovina e gado até outubro de 2025. As importações de carne bovina têm sido um tema central para o setor e para o debate político nos últimos meses.
Nos primeiros dez meses de 2025, as importações de carne bovina cresceram 20% na comparação anual (Figura 1), após um aumento ainda maior, de 24,4%, registrado em 2024. O avanço das importações é a resposta esperada do mercado à queda da produção de carne bovina nos Estados Unidos, especialmente à redução da oferta de carne magra para processamento, proveniente de animais não confinados. Ao longo de 2025, o abate de vacas nos EUA está projetado para cair 29,2% em relação ao pico recente registrado em 2022. As importações aumentaram para compensar parcialmente a redução da oferta de carne magra para a indústria.
Figura 1: Importações de carne bovina dos EUA, janeiro a outubro (em 1000 libras)

Até outubro, a Austrália foi a principal origem das importações de carne bovina dos EUA, com 23,6% do total. O Brasil, na segunda posição, respondeu por 19,5% das importações, seguido por Canadá (18,2%), México (12,3%), Nova Zelândia (10,8%) e Uruguai (6,8%). Apesar da grande atenção política dada à Argentina no quarto trimestre de 2025, o país representa apenas cerca de 25% da categoria “Outros” na Figura 1, o que equivale a 2,2% do total das importações de carne bovina.
Figura 2: Importações de carne bovina do Brasil e da Austrália pelos EUA (em 1000 libras, mensal)

As Figuras 1 e 2 mostram o forte aumento das importações de carne bovina provenientes tanto da Austrália quanto do Brasil desde 2022. A Figura 2 também evidencia a diferença marcante no padrão sazonal das importações entre os dois países.
As importações de carne bovina do Brasil estão incluídas na cota “Outros Países”. Desde 2022, o Brasil tem se movimentado rapidamente em janeiro de cada ano para preencher essa cota antes da aplicação das tarifas fora da cota. Os picos de importação de carne brasileira em janeiro são claramente visíveis na Figura 2.
Em 2025, um segundo pico de importações de carne bovina brasileira ocorreu em maio, quando os preços de mercado estimularam volumes adicionais, apesar da incidência das tarifas fora da cota e de uma tarifa adicional de 10% imposta em abril. No entanto, uma tarifa adicional de 40% aplicada em agosto resultou em uma queda acentuada das importações do Brasil em setembro e outubro. Ao final de novembro, todas as tarifas adicionais haviam sido removidas, restando apenas a tarifa fora da cota, de 26,5%, para o restante do ano.
Até o momento, em janeiro de 2026, o Brasil voltou a se mover rapidamente para preencher a cota “Outros Países” nas duas primeiras semanas do ano, com tarifa zero. As importações subsequentes do Brasil passarão a estar sujeitas à tarifa fora da cota.
Mais uma vez, os dados deverão confirmar um pico nas importações totais de carne bovina em janeiro como resultado desse movimento.
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.