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27 de janeiro de 2026

Relatório dos EUA aponta oferta de gado ainda restrita e pouca retenção de novilhas em 2026

O mercado pecuário dos Estados Unidos deve continuar operando com oferta apertada de bovinos ao longo de 2026, segundo o mais recente relatório Cattle on Feed, divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Os dados indicam estoques reduzidos nos confinamentos e sinais de que a recomposição do rebanho ainda acontece de forma lenta e limitada.

De acordo com o levantamento, em 1º de janeiro de 2026 havia 11,45 milhões de cabeças em confinamento nos Estados Unidos, uma queda superior a 3% em relação ao mesmo período de 2025. O relatório considera apenas feedlots com capacidade acima de mil animais, que representam mais de 80% de todo o gado confinado no país.

Oferta segue pressionada

A combinação entre baixo estoque interno de bovinos e a proibição das importações de gado vivo do México continua sendo o principal fator por trás da restrição de oferta. Desde o segundo semestre de 2024, o volume de animais em confinamento vem ficando abaixo dos níveis do ano anterior, e o dado de janeiro representa a maior queda anual observada nesse período.

Outro ponto de destaque foi o número de animais colocados em confinamento (placements). Em dezembro de 2025, as entradas caíram mais de 5% em relação a dezembro de 2024, reforçando a percepção de que a base de reposição segue limitada.

Por outro lado, o volume de animais abatidos (marketings) em dezembro cresceu 1,7% na comparação anual, sinalizando que, mesmo com menos oferta, os frigoríficos seguem operando próximos da capacidade.

Nebraska lidera confinamento

O relatório também mostra uma mudança geográfica relevante. Nebraska se mantém como o estado com maior número de bovinos em confinamento, enquanto o Texas aparece na segunda posição. Essa inversão ocorreu justamente em função da interrupção das importações de gado mexicano, que tradicionalmente abasteciam fortemente os confinamentos do sul dos EUA.

Retenção de novilhas segue baixa

Um dos indicadores mais observados pelo mercado é a proporção de novilhas no confinamento, já que esse dado sinaliza o ritmo de retenção para recomposição do rebanho. Em janeiro de 2026, as novilhas representavam 38,7% do total de animais confinados, percentual praticamente estável em relação a janeiro do ano anterior e apenas 0,6 ponto acima do nível de outubro.

Na prática, isso indica que a retenção de fêmeas ainda é baixa, o que limita uma expansão mais acelerada do rebanho de corte nos próximos anos.

Abate de vacas caiu em 2025

O relatório lembra ainda que, ao longo de 2025, o abate de vacas de corte caiu em mais de 500 mil cabeças, o que abre espaço para uma leve recuperação no número total de matrizes. Mesmo assim, os analistas avaliam que o ciclo de expansão será mais lento do que em períodos anteriores da pecuária americana.

Impacto global

Para o mercado internacional de carne bovina, esse cenário reforça a tendência de oferta restrita nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de carne bovina. Com produção limitada e demanda firme, os EUA tendem a seguir mais dependentes de importações e menos agressivos nas exportações.

Na prática, isso sustenta preços elevados no mercado global e cria oportunidades para países exportadores como Brasil, Austrália e Uruguai, que disputam espaço principalmente em mercados como China, Japão e Coreia do Sul.

O relatório do USDA, portanto, confirma o que muitos analistas já vinham sinalizando: a recomposição do rebanho americano será gradual, e a escassez de gado deve continuar sendo um fator estrutural do mercado de carne nos próximos anos.

Fonte: Drovers.

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