
O movimento de retomada no mercado de genética bovina também alcança o segmento de embriões. Localizada em Uberaba (MG), a Zebuembryo conta com capacidade para hospedar até 500 doadoras, com foco no mercado internacional.
Mais de 80% da produção da empresa é voltada à exportação, com forte atuação na África, Ásia e América Latina. No ano passado, o número de embriões exportados quase dobrou, e a meta é triplicar esse volume em 2026, informa a empresa, sem dar detalhes.
“Eles querem importar genética capaz de entregar o mais rapidamente possível o melhoramento e incrementar a produção”, diz o diretor de negócios da Zebuembryo, Humberto Rosa, citando países com altas taxas de crescimento populacional, como Nigéria, Paquistão e Indonésia, que consequentemente precisam produzir cada vez mais proteína.
Por terem clima parecido com o do Brasil, países da África subsaariana e do sudeste asiático buscam produzir animais adaptados a essas condições. “Nos últimos dez anos, as mudanças climáticas foram muito impactantes, e cada ano foi diferente um do outro. E o Brasil desenvolveu genética adaptável a essas mudanças climáticas, por isso eles [importadores] estão olhando para a gente”, observa.
Em fevereiro deste ano, a empresa deve desenvolver um projeto no norte de Angola, com a transferência de centenas de embriões das raças Gir e Guzerá. A região tem o clima parecido com o Cerrado brasileiro. “Eles nos pediram animais que resistam às condições áridas ou semiáridas para produzir leite para famílias de baixa renda”, explica Rosa.
No ano passado, a Zebuembryo fez a primeira transferência de embriões da história da Nigéria. Em janeiro, nasceu a primeira bezerra da raça Girolando, fruto dessa iniciativa.
Trabalhos como esse são resultado de uma estratégia que combina, além dos embriões, o serviço e o treinamento. “Mandamos profissionais para executar a transferência de embrião e recebemos equipes dos nossos para treinamento aqui. Essa é a grande chave”, diz.
Fonte: Globo Rural.