Como o boi do Pantanal ficou mais jovem e mais rentável
29 de janeiro de 2026

Demanda por carne bovina em alta nos EUA: quando as vacas vão voltar?

A carne bovina é um mercado movido pela demanda e que permaneceu excepcionalmente forte ao longo de 2025. Refletindo isso, os preços da carne atingiram novos recordes ao redor do mundo e os valores do gado dispararam. Os fluxos do comércio global reagiram aos sinais de preço, com tanto incentivos quanto restrições.

Para 2026, há muitas evidências que indicam mais do mesmo.

Os problemas de disponibilidade de gado não estão diminuindo, já que condições climáticas extremas, tanto frio intenso quanto seca, têm sido disruptivas para o fluxo de animais nos últimos anos. O Bicheira-do-novo-mundo (New World screwworm – NWS) também continua sendo um fator, assim como a pressão de doenças e a interrupção das importações de gado vivo impactando a saúde e a disponibilidade de gado nos Estados Unidos.

A forte demanda e a oferta limitada de gado aumentaram a participação dos pecuaristas no valor do dólar da carne bovina no varejo para níveis anormalmente altos nos últimos anos. Uma característica que provavelmente continuará se expandindo no curto prazo, enquanto as margens dos frigoríficos permanecerão sob pressão, e os confinadores se beneficiarão apenas de custos menores de ração. Além disso, há melhorias potenciais nos custos de capital com a queda das taxas de juros em meio à valorização do gado.

Os consumidores ainda estão comprando carne bovina

A demanda por proteína, especialmente carne bovina, tem sido forte neste ano, à medida que os consumidores buscam carnes de alta qualidade. O consumidor, munido de conhecimento, reconhece como o marmoreio melhora sua experiência de consumo. A premiumização e o acesso a cortes de alta qualidade está impulsionando as compras no varejo e contribuindo para o sucesso já alcançado pelos restaurantes de alta gastronomia.

As vendas em dólares de carne bovina fresca no varejo, nos 52 semanas encerradas em outubro, cresceram 12% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 44,3 bilhões (Circana). Somente essa categoria responde por 56% dos US$ 78,5 bilhões em vendas totais de carnes frescas no varejo. Mas não são apenas os valores: a carne bovina também liderou o crescimento em volume, com alta de 4,7% em libras vendidas na comparação anual nas últimas 52 semanas.

As carnes moídas tiveram forte alta em 2025. A carne bovina lidera, com mais de 85% do segmento de vendas de carnes moídas no varejo. As vendas de carne moída bovina registraram crescimento de dois dígitos, com alta superior a 13% na comparação anual, totalizando mais de US$ 17 bilhões nas 52 semanas encerradas em outubro, segundo dados da Circana. O volume também cresceu: as libras vendidas aumentaram 3,8% no período.

Vale destacar que a carne moída bovina vem enfrentando concorrência de carnes moídas não tradicionais. As vendas de frango moído cresceram 21% na comparação anual, com aumento de 22% no volume. Ainda assim, as vendas de frango moído no varejo permanecem muito inferiores às de carne bovina moída, totalizando US$ 393 milhões.

Alguns podem sugerir que o rápido crescimento do frango moído representa uma substituição da carne bovina pela carne de frango. No entanto, o crescimento em dólares da carne bovina moída foi sete vezes maior do que os ganhos do frango moído. Assim, é mais provável que o aumento geral esteja vindo de consumidores sensíveis a preço, que buscam carnes moídas como uma forma de atender à demanda por proteína, combinando valor e versatilidade.

Esse tipo de crescimento não tem paralelo entre outras proteínas de origem animal e pode ser atribuído a alguns fatores-chave, como sabor e qualidade. De acordo com o Meat Demand Monitor de outubro de 2025, publicado pelo Departamento de Economia Agrícola da Universidade Estadual do Kansas, os três principais atributos valorizados pelos consumidores na compra de proteína foram sabor, frescor e preço.

O amplo acesso que o consumidor norte-americano tem hoje a carne bovina de alta qualidade rivaliza com qualquer outro período da história, ou com qualquer outro país. Em 2025, nos três meses de março, abril e maio, foram produzidas mais libras de carne bovina de grau Prime do que de grau Select. A participação da produção de carne Prime nos Estados Unidos não era tão alta há 37 anos. Com dados até agosto, o grau Choice ainda detém cerca de três quartos de participação de mercado. participação, e Prime e Select estão equilibrados em 12% e 13%, respectivamente.

A melhoria genética, os programas de nutrição, a ocupação dos confinamentos e o avanço tecnológico como um todo sustentam o otimismo em relação à continuidade dos ganhos na qualidade da carne bovina dos Estados Unidos, fortalecendo ainda mais o vínculo com o consumidor.

Turbulência no mercado de gado dos EUA

A pergunta de um milhão de dólares no setor de carne bovina nos últimos três anos é: “quando o rebanho de vacas de corte vai voltar a crescer?”. Em 2025, não houve um movimento claro de retenção de novilhas. Se uma retenção significativa tivesse ocorrido, a pressão sobre os frigoríficos teria sido ainda maior, já que as fêmeas destinadas à recomposição do rebanho significariam menos animais disponíveis para abate.

A participação das novilhas nos estoques de gado confinado caiu no meio do ano. A maioria dos analistas do setor considera algo em torno de 37% como a faixa em que a retenção começa a se tornar visível. O uso de cruzamento de gado de corte com vacas leiteiras (beef-on-dairy) sugere uma variação de 0,5% a 1,5%, portanto é possível que a retenção tenha começado a aparecer por volta do meio do ano, mas a confiança em uma expansão efetiva do rebanho ainda é limitada.

A retenção tem sido uma decisão cada vez mais difícil para os pecuaristas nos últimos anos, devido à persistência da seca, à necessidade de recompor estoques de ração, à idade média dos produtores — em torno de 58 anos — e ao aumento dos custos de insumos e de crédito.

Animais mais pesados têm ajudado a aliviar a pressão sobre a produção total de carne bovina, mesmo com a redução do tamanho do rebanho. Após aumentarem apenas cerca de 1,8 kg por ano ao longo dos últimos 20 anos, os pesos dos bovinos saltaram 12,2 kg em 2024 e mais 10,9 kg (ou 2,5%) até setembro de 2025, elevando a média de quilos por animal. A carcaça média de um boi hoje é cerca de 59 kg mais pesada do que em 2005.

Questiona-se até que ponto os pesos podem continuar aumentando sem comprometer a experiência do consumidor em cortes nobres, como o ribeye. Em algum momento, esse corte pode sair do padrão desejado para muitos restaurantes.

Outra questão relacionada aos estoques de gado diz respeito a quando as exportações de gado vivo do México serão retomadas. Em 2023 e 2024, os Estados Unidos importaram mais de um milhão de cabeças de gado do México, volume que foi praticamente zero em 2025 após a confirmação de casos de NWS por países da América Central. O Texas foi o estado mais impactado, já que aproximadamente três quartos do gado importado do México entram em confinamentos no Texas.

Somado ao NWS, houve problemas climáticos que complicaram o fluxo de gado durante o primeiro trimestre de 2025. Se um desses fatores tiver menor peso em 2026 e o número de animais melhorar na comparação anual, é provável que haja uma falsa sensação de segurança em relação ao potencial de produção de carne bovina.

A reconstrução do rebanho nacional de corte levará vários anos, não apenas meses. Um bezerro nascido na primavera de 2025, retido para reprodução, não produzirá outro bezerro até, no mínimo, a primavera de 2027, e somente em 2029 isso significará mais carne proveniente dessa novilha retida. A instabilidade dos estoques e a volatilidade do mercado reforçam a importância da gestão de riscos.

A grande troca do comércio americano de carne bovina

Durante o ano-calendário de 2024, a carne bovina e seus derivados foram o terceiro maior produto de exportação agrícola dos Estados Unidos, com valor de US$ 10,5 bilhões. A Coreia do Sul foi o principal destino da carne bovina dos EUA, seguida por Japão, China, México e Canadá.

Até agosto de 2025, as exportações de carne bovina dos Estados Unidos caíram 9% na comparação anual, e a China caiu da terceira para a quinta principal posição como destino, segundo dados da U.S. Meat Export Federation. Isso é importante porque existem cortes especiais e miúdos de carne bovina que não têm forte demanda nos EUA, mas são valorizados em outros mercados.

Manter relações comerciais fortes não se aplica apenas às exportações, mas também às importações. Em 2025, Brasil, Austrália e Canadá foram os três principais países dos quais os Estados Unidos importaram carne bovina. Esses três, sozinhos, representaram mais de 60% das importações de carne bovina dos EUA. A necessidade dessa carne magra é fundamental para ajudar a atender a demanda dos consumidores no mercado interno.

Ainda otimistas com a carne bovina

Embora o mercado de carne bovina esteja avançando em território desconhecido, a economia continuou a conduzir o setor ao longo de um 2025 altamente turbulento. A história da demanda excepcional superando a oferta não aconteceu da noite para o dia e vem sendo construída há anos. O preço continua sendo um mecanismo econômico para resolver desequilíbrios de mercado. E, apesar de os preços da carne estarem batendo novos recordes, há muitas razões para continuar otimista em relação à carne bovina.

Mais uma vez, a indústria da carne bovina é um mercado guiado pela demanda e que segue operando em ritmo acelerado. Proteína de alta qualidade é buscada pela grande maioria dos consumidores nos Estados Unidos e no exterior.

A queda nos custos da ração — o maior gasto dentro de uma operação pecuária — tem proporcionado melhora nas margens de lucro, apesar de outros custos de insumos estarem em alta, como materiais de construção e mão de obra. O mercado continuará definindo os preços com base nas dinâmicas atuais, mas, por enquanto, ainda há otimismo no mercado de carne bovina.

Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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