Entenda como os ciclos da pecuária moldam os preços da carne bovina
5 de fevereiro de 2026

Exportações de carne bovina dos EUA recuam em novembro com impacto da China, mas demanda global segue resiliente

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos registraram uma queda expressiva em novembro de 2025, refletindo principalmente a perda de acesso ao mercado chinês. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), compilados pela U.S. Meat Export Federation (USMEF), os embarques somaram 88,1 mil toneladas no mês, volume 19% inferior ao registrado em novembro de 2024. Em valor, as exportações totalizaram US$ 736,7 milhões, uma retração anual de 16%.

O principal fator por trás desse desempenho foi a situação da China, que deixou de renovar registros de plantas frigoríficas norte-americanas a partir de março e, nos meses seguintes, suspendeu operações adicionais, criando um bloqueio efetivo ao produto dos EUA. Além da China, houve queda nas exportações para mercados relevantes como Coreia do Sul, México, Canadá e Taiwan. Por outro lado, os embarques cresceram para destinos como Indonésia, Chile, Emirados Árabes Unidos, Singapura e Colômbia, enquanto o volume destinado ao Japão permaneceu relativamente estável.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações norte-americanas de carne bovina atingiram 1,04 milhão de toneladas, queda de 12% em relação ao mesmo período de 2024. A receita no período somou US$ 8,52 bilhões, recuo de 11%. Quando se exclui a China da conta, porém, o cenário se mostra menos negativo: o volume exportado cai apenas 3% na comparação anual, e o valor fica apenas 1% abaixo do ano anterior, o que indica uma demanda global ainda firme pela carne bovina dos EUA, apesar da oferta mais restrita.

A Coreia do Sul, principal mercado em valor, apresentou retração em novembro, com importações de 17,3 mil toneladas, 20% menores que no mesmo mês do ano anterior, e faturamento de US$ 176,2 milhões. Ainda assim, no acumulado do ano até novembro, o país manteve crescimento de 1% tanto em volume quanto em valor, alcançando 211,7 mil toneladas e US$ 2,02 bilhões, superando a marca de US$ 2 bilhões pelo quinto ano consecutivo.

O Japão manteve relativa estabilidade em novembro, com 18,1 mil toneladas importadas, apenas 1% abaixo de um ano antes. O valor caiu 5%, para US$ 138,5 milhões. Um destaque positivo foi o desempenho das miudezas bovinas, especialmente línguas e saias, cujos embarques para o Japão cresceram 81% em volume e 59% em valor no mês. No acumulado do ano, porém, o mercado japonês apresentou queda de 2% em volume e 6% em valor.

Na região do Sudeste Asiático, as exportações ganharam fôlego em novembro, puxadas pela Indonésia. Os embarques para os países da ASEAN totalizaram 4,7 mil toneladas, alta de 23% em relação a novembro de 2024, com valor de US$ 33,4 milhões, crescimento de 26%. Apesar da melhora pontual, o acumulado do ano ainda mostra retração significativa, reflexo de barreiras não tarifárias e restrições regulatórias que seguem limitando o acesso ao mercado indonésio.

Outros mercados também mostraram sinais de recuperação. Nos Emirados Árabes Unidos, as exportações voltaram a crescer após restrições relacionadas a requisitos halal, alcançando 546 toneladas em novembro, com faturamento de US$ 5,7 milhões. No acumulado do ano, o país apresentou crescimento de 2% em volume e 9% em valor. Na Colômbia, após restrições sanitárias ao longo de 2024, os embarques cresceram 9% em novembro e 24% no acumulado do ano, com forte avanço no faturamento.

O Chile se destacou como um mercado em expansão, com exportações de 806 toneladas em novembro, 17% acima do ano anterior, e receita de US$ 7,5 milhões, o melhor resultado desde 2022. No acumulado de janeiro a novembro, os embarques para o país cresceram 23% em volume e 39% em valor, impulsionados pela valorização da carne norte-americana como produto premium no varejo chileno.

Já o México, maior destino em volume para miúdos bovinos dos EUA, apresentou retração. Em novembro, as exportações somaram 16,4 mil toneladas, queda de 13% em relação ao ano anterior, com receita de US$ 102,7 milhões. No acumulado do ano, os embarques recuaram 11%, totalizando 189,3 mil toneladas, enquanto o valor caiu 4%, para US$ 1,18 bilhão.

A perda do mercado chinês teve impacto direto também nos indicadores econômicos da cadeia. Em novembro, o valor das exportações de carne bovina equivaleu a US$ 408,91 por animal abatido, queda de 5% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a novembro, a média ficou em US$ 391,82 por cabeça, também 5% menor. As exportações representaram 12,7% da produção total de carne bovina em novembro e 10% dos cortes musculares, participação inferior à observada no mesmo mês de 2024.

Apesar das dificuldades impostas pelo fechamento do mercado chinês, os dados mostram que a demanda global por carne bovina dos Estados Unidos permanece relativamente sólida. O desafio para o setor segue sendo a diversificação de destinos e a recuperação do acesso a mercados estratégicos, em um contexto de oferta restrita e concorrência crescente no comércio internacional de carne.

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Fonte: USMEF, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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