
O Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou nova queda em janeiro de 2026, marcando o quinto recuo mensal consecutivo. O indicador fechou em 123,9 pontos, uma redução de 0,4% em relação a dezembro, refletindo principalmente a queda nas cotações internacionais de lácteos, carnes e açúcar.
Na comparação anual, o índice ficou 0,6% abaixo do registrado em janeiro de 2025 e permanece 22,7% inferior ao pico histórico alcançado em março de 2022, quando a guerra na Ucrânia e as restrições comerciais impulsionaram fortemente os preços globais.
As quedas nos preços de lácteos, carnes e açúcar superaram as altas observadas nos cereais e nos óleos vegetais, garantindo o movimento de baixa no índice geral.
O Índice de Preços da Carne da FAO ficou em 123,8 pontos em janeiro, queda de 0,4% frente a dezembro. Apesar disso, o indicador segue 6,1% acima do nível observado no mesmo mês de 2025.
A retração mensal foi puxada principalmente pela queda nos preços internacionais da carne suína. As cotações recuaram sobretudo na União Europeia, onde a demanda externa esteve mais fraca e a oferta permaneceu elevada, incluindo a liberação de estoques acumulados durante o período de fechamento temporário de frigoríficos nas festas de fim de ano.
No caso da carne ovina, os preços permaneceram relativamente estáveis, mesmo com oferta apertada. A demanda sazonal perdeu força após compras intensas no final de 2025, o que limitou novas altas.
A carne bovina também apresentou estabilidade nos preços internacionais. Um dos fatores determinantes foi a mudança no fluxo das exportações brasileiras após o esgotamento rápido da cota tarifária dos Estados Unidos. Com o fim da cota livre de tarifa, passou a valer a tarifa de 26,4% para volumes adicionais exportados ao mercado norte-americano.
Diante desse cenário, parte das exportações brasileiras foi redirecionada para outros destinos, especialmente a China. Importadores chineses anteciparam compras para garantir volumes antes da implementação da cota de salvaguarda para carne bovina anunciada pelo país asiático. Esse movimento ajudou a sustentar os preços e evitou uma pressão maior de baixa sobre o produto brasileiro.
Na contramão das demais proteínas, os preços da carne de frango subiram no mercado internacional. A valorização foi impulsionada principalmente pelo Brasil, sustentada por forte demanda externa.
O recuo do índice geral reforça o cenário de acomodação gradual dos preços internacionais de alimentos após o período de forte volatilidade iniciado em 2022. Ainda assim, o mercado segue sensível a fatores como políticas comerciais, restrições tarifárias e movimentos estratégicos de grandes importadores.
Para o setor de carnes, especialmente o brasileiro, o cenário continua marcado por ajustes nos fluxos comerciais e pela necessidade de adaptação rápida às mudanças nas regras de acesso aos principais mercados.
Fonte: FAO, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.