

A dsm-firmenich, maior indústria de suplementos nutricionais para a pecuária no Brasil, vê um cenário de produção menor de carne bovina para este ano que, somado a uma potencial queda no consumo doméstico, pode contribuir para aliviar os efeitos da redução no apetite de compras da China que deve acontecer até o final de 2026.
Após investigações de salvaguardas para proteger a indústria local, a China aplicou cotas a seus principais fornecedores globais de carne bovina e tarifas. O Brasil ficou com uma cota de 1,1 milhão de toneladas, volume 35% menor que o exportado ao país asiático no ano passado.
A tarifa dentro da cota é de 12% para os exportadores brasileiros e o volume que exceda isso pagará taxa de 55% ao embarcar a proteína aos chineses.
“Se produzirmos 5% menos carne e reduzir o consumo doméstico, o que vai depender da precificação da carne bovina e da desaceleração do PIB, a gente praticamente pode ter um ‘off-set’ (compensação) à redução (na demanda) da China”, disse Túlio Ramalho, diretor da Unidade Operativa de Ruminantes da dsm-firmenich para Brasil.
Com base em dados da consultoria Agrifatto, o executivo afirmou que a expectativa é de produção de 10,3 milhões de toneladas de carne em 2026, o que, se confirmado, seria um recuo de 5%.
As exportações estão estimadas em 4,8 milhões de toneladas de carne bovina, 3% menores, enquanto o consumo interno está estimado em 5,6 milhões de toneladas, queda de 7%.
A diminuição na produção de carne bovina vem na esteira da virada de ciclo pecuário, com retenção de fêmeas e menor oferta.
Sobre o consumo interno, o contraponto, além do patamar de preços, é a realização das eleições e da Copa do Mundo em 2016, que podem contribuir com o incremento na demanda por carne bovina.
Ramalho acredita que há potenciais avanços nas vendas externas para os novos mercados que têm sido abertos para a carne do Brasil, mas também por meio de triangulação.
“O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou tirar as tarifas de 20% da Argentina e quer aumentar a compra de carne de lá. A China elevou a cota para os argentinos também, então, a Argentina passa a ser a grande oportunidade para triangular a carne, buscando mais no Brasil para suprir o mercado interno deles, diante de um aumento nas exportações de carne argentina”, disse o executivo.
Fonte: Globo Rural.