

Vaca Nelore Donna FIV CIAV Foto: Instagram Neloreoficial/Divulgação
A vaca mais cara do mundo tem nome e endereço no Brasil. Donna FIV CIAV, da raça Nelore, foi vendida por R$ 54 milhões no Leilão Cataratas Collection em Foz do Iguaçu. O cantor Murilo Huff comprou 25% do pacote genético em parceria com outras três empresas.
O preço alto se justifica pela biotecnologia: a vaca já deu origem a três clones.
Este exemplo mostra que a clonagem saiu da ficção científica e virou uma ferramenta de negócios no agronegócio brasileiro.
A clonagem animal é um processo que cria animais geneticamente iguais. A técnica mais usada se chama Transferência Nuclear de Células Somáticas. Basicamente, os cientistas pegam o núcleo (parte central) de uma célula do animal que querem copiar e colocam dentro de um óvulo vazio.
O resultado é um “gêmeo idêntico nascido em época diferente”. O clone nasce com as características selecionadas do animal original.
No caso de vacas como Donna FIV CIAV, isso significa manter a mesma capacidade de produção de embriões, conformação, melhoramento genético do rebanho de corte e outras qualidades que valem milhões.
O processo acontece em laboratórios especializados. Depois da transferência do núcleo, o embrião se desenvolve em laboratório antes de ser colocado numa vaca que vai “emprestar” o útero para a gestação. Todo o trabalho precisa de muito cuidado para dar certo.
A clonagem serve para preservar animais excepcionais que poderiam morrer por acidente ou idade.
Na reprodução normal, os filhotes podem herdar características boas ou ruins dos pais. Com a clonagem, você garante que as qualidades do animal original sejam preservadas.
Os produtores usam a técnica para multiplicar seus melhores animais rapidamente. Isso acelera a melhoria dos rebanhos no país. Quem investe milhões em genética animal vê na clonagem uma forma de proteger esse investimento.
A clonagem não substitui a reprodução normal, mas funciona como um “seguro”. Ajuda criadores a espalhar rapidamente as características dos seus melhores animais pelo rebanho, aumentando o retorno do dinheiro investido.
O maior benefício econômico é ter um rebanho mais uniforme. Com animais clonados, o produtor sabe exatamente o que esperar em termos de produção de leite, qualidade da carne e outras características importantes para o negócio.
A clonagem elimina as surpresas da reprodução normal. Os animais funcionam como “fábricas de genética”, produzindo descendentes com padrões conhecidos e aprovados pelo mercado.
O retorno do investimento fica mais previsível porque você trabalha com genética já testada. Os criadores diminuem riscos e aumentam a eficiência, especialmente em fazendas onde a uniformidade do rebanho afeta diretamente o lucro.
O presidente Lula assinou, em 13 de novembro de 2024, a Lei 15.021/24 que regulamenta a produção, venda, importação e exportação de animais clonados no Brasil. Esta lei é importante porque dá segurança legal para quem investe nessa tecnologia.
A lei vale para animais domésticos usados na produção, como bois, porcos, cabras e aves. Também permite clonar animais silvestres brasileiros, mas só com autorização do Ibama. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) fica responsável por fiscalizar e controlar tudo.
O governo vai manter um banco de dados de acesso público. Isso garante que seja possível rastrear qualquer animal clonado no país.
Todos os clones devem ser identificados obrigatoriamente. Cada animal precisa ter um registro completo de sua origem, desde a célula que foi usada para criar o clone até o nascimento. Isso garante transparência e confiança no sistema.
A lei exige controle sanitário rigoroso para garantir a saúde dos animais e a segurança dos processos. Estabelece regras específicas para laboratórios e criadores, reduzindo riscos de contaminação ou problemas de saúde relacionados à clonagem.
A segurança legal permite que investidores e laboratórios trabalhem dentro de regras claras. Isso coloca o Brasil em posição competitiva no mercado mundial de genética animal, consolidando o país como referência em biotecnologia.
Fonte: Estadão.