

As medidas de salvaguardas sobre a carne bovina importada pelo gigante asiático podem ter reflexos também para novos entrantes no mercado. De acordo com o assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Ernesto Augustin, a China anunciou que não vai habilitar novos frigoríficos durante o período de vigência das medidas de salvaguardas.
“A China disse que, nos próximos três anos, não vai habilitar novos frigoríficos”, afirmou Augustin a jornalistas nesta segunda-feira, 23, após participar do Welcome Agro, em Brasília (DF).
A afirmação ocorreu após ser questionado sobre as tratativas do governo para regularizar a distribuição da cota brasileira — cerca de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para 2026 – e a necessidade de deixar uma reserva técnica para novos frigoríficos. “Não tem [necessidade de uma reserva], porque a China já declarou que não vai habilitar novos entrantes nos próximos três anos, não tem por que fazer”, disse assessor do Mapa.
Na próxima sexta-feira, 27, há previsão de uma reunião extraordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), núcleo executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), onde o tema está sendo tratado. Um dos itens da pauta deve ser a forma para regular a cota brasileira de carne bovina enviada à China.
Apesar da afirmação do assessor, o setor privado não vê essa possibilidade como concreta. Eles afirmam que não foram comunicados sobre essa decisão da China e que essa seria uma interpretação do próprio assessor do Mapa.
Além disso, o entendimento é contrário, inclusive com expectativa de que haja novas habilitações de frigoríficos para este ano. “Vai habilitar mais para aumentar a concorrência”, destacou uma fonte que acompanha o tema.
Sobre a regulamentação da cota, a decisão é aguardada o quanto antes. O motivo alegado para que não haja uma regulamentação própria do setor é o receio de que essa organização seja enquadrada como formação de cartel, o que é uma prática comercial ilegal. Por isso, a necessidade da regulação por um órgão superior, como o governo, desqualificando o que poderia ser considerado atuação ilegal.
Quanto ao pleito do governo brasileiro junto ao lado chinês para que as cargas que saíram em dezembro sejam contadas fora da cota, o entendimento dessa fonte é de que o pedido não deve ter efeito. “Lá eles consideram o número de importação o que chega no porto, o que seria cerca de 1,4 milhão de toneladas no ano passado. Aqui contamos o que sai, por isso, há uma diferença de aproximadamente 300 mil toneladas”, comentou.
Apesar disso, a leitura feita por esse interlocutor é de que os preços para a China devem aumentar ou continuar em patamares elevados, uma vez que o tipo de corte enviado ao país asiático não é de fácil realocação em outros mercados, o que obriga uma redução nos abates brasileiros, afetando a oferta de carne para lá. Além disso, outros países devem continuar com a demanda aquecida, como os Estados Unidos.
Fonte: Estadão.