

Um estudo inédito utilizando tecnologia de rastreamento ocular revelou que, quando produtores comerciais compram touros, eles se concentram majoritariamente na aparência física do animal e em características básicas de produção, frequentemente ignorando índices econômicos de seleção projetados para melhorar a precisão da compra.
O projeto de pesquisa multiestados, liderado pelo economista agrícola da Universidade do Tennessee, Charley Martinez, examinou como o formato de apresentação dos perfis de diferenças esperadas na progênie (EPD) afeta a capacidade dos compradores de prever com precisão os preços dos touros e avaliar sua qualidade.
“Nossos resultados mostram que a forma como você apresenta a informação genética importa”, afirma Martinez. “Produtores que utilizaram ferramentas mais detalhadas, como rankings de EPD e EPDs com avaliação genômica, tiveram maior probabilidade de tomar decisões de preço mais precisas. Mas muitos compradores nem sequer olham para esses índices em primeiro lugar.”
O estudo envolveu 208 produtores dos estados do Tennessee, Alabama, Virgínia Ocidental e Iowa. Os participantes foram convidados a assistir vídeos de 18 touros reais em leilão — seis de cada raça: Angus, Simmental e Hereford — juntamente com seus respectivos perfis de EPD. Em seguida, estimaram o preço de venda de cada animal.
Para medir a atenção, uma barra de rastreamento ocular por infravermelho foi calibrada para cada participante. Mapas de calor posteriormente revelaram exatamente onde os participantes focaram na tela.
Os pesquisadores testaram quatro diferentes formatos de apresentação dos perfis de EPD:
Em todos os cenários, a precisão média na estimativa de preços variou entre 21% e 26%, sendo que o formato invertido com rankings percentuais apresentou os melhores resultados.
Os dados revelaram alguns padrões importantes:
Apesar do incentivo dos geneticistas para o uso de índices econômicos como ferramentas eficientes de decisão, o estudo mostrou que eles raramente são consultados. O rastreamento ocular revelou que:
“Quando os produtores olham para os índices, geralmente observam mais o valor absoluto do que o ranking percentual”, diz Martinez. “Isso indica que precisamos de mais educação sobre o que esses rankings significam e por que são importantes.”
A pesquisa também avaliou se os produtores conseguiam diferenciar corretamente touros de alta, média e baixa qualidade, ajustando sua disposição de pagamento de acordo. Embora alguns compradores tenham superestimado ou subestimado preços de forma consistente, muitos conseguiram distinguir os níveis relativos de qualidade. Aqueles que utilizavam ferramentas genéticas mais avançadas tiveram melhor desempenho nessa diferenciação.
“Nosso objetivo é que os compradores direcionem mais recursos para os animais de maior qualidade e menos para os de qualidade média ou baixa”, explica Martinez. “Se eles conseguem identificar a qualidade, mesmo sem acertar exatamente o preço, isso já é uma habilidade valiosa. Mostra que compreendem o valor relativo.”
Os resultados trazem lições claras para criadores de genética, organizadores de leilões e associações de raça:
“Um cliente que volta é o melhor tipo de cliente”, afirma Martinez. “Quanto mais confiança ele tiver na decisão de compra, maior a chance de retornar. Apresentar a informação genética de forma que ele realmente utilize é essencial para isso.”
Martinez e sua equipe pretendem aprofundar o estudo sobre o design de catálogos, testando quais formatos maximizam o uso dos índices econômicos de seleção.
“É a primeira vez que se comprova que o formato de apresentação impacta a precisão nas decisões de compra de animais”, diz ele. “Agora que sabemos que isso importa, a questão é como usar esse conhecimento para ajudar os produtores a tomar decisões melhores.”
O estudo também levanta questões mais amplas sobre tomada de decisão na agricultura e como a economia comportamental pode orientar programas de extensão, políticas de associações de raça e estratégias de marketing.
“No fim das contas, quanto mais informada for a decisão, melhor será o resultado para o produtor”, conclui Martinez. “E isso beneficia toda a cadeia produtiva.”
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.