

O diretor financeiro global da JBS, Guilherme Cavalcanti, disse a analistas nesta quinta-feira (26/3) que a companhia prevê um Capex (investimento) da ordem de US$ 2,4 bilhões para 2026, dos quais US$ 1,4 bilhão, aproximadamente, a ser destinado para expansão da capacidade produtiva de unidades da companhia e US$ 1 bilhão para manutenções.
Em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 e de todo o ano passado, Cavalcanti disse que os recursos para expansão serão aplicados em diversas unidades, incluindo plantas da Pilgrim’s Pride, instalações para salsicha de carne suína em Iowa e de carne bovina em Cactus, no Texas, nos Estados Unidos, uma nova planta no Paraguai e o projeto de Omã, no Oriente Médio — que abrange uma planta integrada de aves e uma indústria de processamento de carnes bovina e cordeiro.
Na teleconferência com analistas, o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, acrescentou que investimentos na Seara a serem concluídos neste ano devem elevar a capacidade produtiva da marca em 10% a 13%.
O reforço no crescimento orgânico, segundo Cavalcanti, também ocorre em virtude de a companhia não estar “muito focada, neste momento”, em fusões e aquisições, ainda que sempre monitore oportunidades.
“Não há nada que esperemos anunciar no curto prazo em termos de M&A (fusões e aquisições, em inglês)”, afirmou Cavalcanti.
Investimentos em renovação e adaptação de três plantas da Pilgrim’s Pride pela JBS, concluídas recentemente, permitirão à companhia elevar margens de lucro, disse o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante a teleconferência.
Em duas das três plantas, a companhia adaptou estruturas para produzir matéria-prima para o negócio de refeições prontas, segundo o executivo.
“Antes, vendíamos o material para o mercado porque não tínhamos condição de entregar cortes adequados para a cadeia de refeições preparadas. Agora conseguimos e com isso podemos aumentar a margem”, afirmou Tomazoni.
O executivo acrescentou que a demanda por carne de frango nos Estados Unidos e no mundo está “muito alta”. Se por um lado o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê crescimento de 2% no fornecimento de frangos em 2026, a demanda firme e a verticalização da produção leva a companhia a esperar “um ano muito bom para a PPC”, disse Tomazoni.
O diretor financeiro global da JBS, Guilherme Cavalcanti, também disse que os múltiplos da companhia vêm melhorando, mas que as ações da empresa ainda estão sendo negociadas com desconto em relação a concorrentes do setor.
Apesar disso, a companhia espera progressivamente ser incluída em índices de ações americanos utilizados como referência para fundos passivos. Entre eles os índices da “família” Russell, na qual a companhia vê possibilidade de ser incluída em junho deste ano, segundo Cavalcanti.
Já na “família” dos índices da S&P, a JBS acredita que poderá ingressar no início de 2027, possivelmente no S&P 400, conforme o executivo.
“Isso não está no nosso controle, mas é o que está no nosso radar”, afirmou Cavalcanti durante teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 e do consolidado do ano.
Ele comentou ainda que o volume diário de ações da companhia negociado atualmente é três vezes maior do que antes da listagem da empresa no mercado americano e que 70% do free float (ações disponíveis para negociação em bolsa) da empresa hoje está com investidores americanos.
O executivo informou, além disso, que uma nova recompra de ações da JBS dependerá da geração de caixa nos próximos meses.
Fonte: Globo Rural.