
O cenário de guerra no Oriente Médio não deve atrapalhar o resultado numérico das exportações de carnes brasileiras, segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Os volumes de março devem superar o recorde dos envios do ano passado, que foram de pouco mais de 215 mil toneladas.
O executivo frisa que, mesmo com o fechamento do Estreito de Ormuz e com os problemas logísticos impostos na região entre Irã e Omã, com a alta dos custos de guerra, com o frete mais caro, o Brasil deverá vender mais, mantendo o fluxo da cadeia, mantendo a “indústria saudável e continuando a produzir”.
“Em janeiro, tivemos uma exportação de 23 mil toneladas por dia e, nos primeiros 15 dias de março, estamos com exportações de 24 mil toneladas diárias, ou seja, estamos mantendo esse ritmo para não deixar comida na mesa dos brasileiros, mas tampouco deixar faltar nesses grandes países que são grandes exportadores”, enfatizou Santin durante entrevista exclusiva ao CNN Agro News, nesta terça-feira (31/3).
Os resultados oficiais do mês serão divulgados na próxima semana. E se o Brasil tiver mantido o ritmo de 24 mil toneladas diárias, terá alcançado um total de 744 mil toneladas. O número se aproxima da marca de 1 milhão de toneladas, que seria inédito para um terceiro mês do ano. “A surpresa é muito positiva”, destaca Santin.
O enfrentamento do setor, porém, são os custos elevados das rotas alternativas, lembrou Santin, mas não impediram de o Brasil cumprir os contratos de exportação dos diferentes tipos de carne aos parceiros do Oriente Médio, em especial Catar, Kuwait, Bahrein que são compradores consolidados das proteínas animais brasileiras.
Santin define o mercado brasileiro como “resiliente” por conseguir ‘ultrapassar’ barreiras da geopolítica que se tornaram uma das principais preocupações na hora de fechar negócios. Segundo ele, a experiência do setor de carnes e a solidez dos mercados – clientes do Brasil há mais de quatro décadas – foram as variáveis essenciais para manter o patamar das exportações, além de ajudar a criar rotas alternativas e terrestres.
“O setor conseguiu manter a estabilidade, construir alternativas de redirecionamento ou reenvio por outros canais como levar de navio até Arábia Saudita e transportar de caminhão até o Kuwait, Catar e isso conseguiu fazer com que não se precisasse desacelerar a cadeia e nem o fornecimento de comida”, detalhou o presidente da ABPA.
No caso do frango, eram 60 mil toneladas que entravam pelo Estreito de Ormuz. Esse volume está sendo redirecionado via Arábia Saudita por terra e via Omã, o que permite entregar as mercadorias.
Fonte: CNN Brasil.