

A cota imposta pelos chineses à importação de carne bovina brasileira, que deverá reduzir neste ano em 35% os embarques do produto para o país asiático, deverá ser derrubada em 2027 e 2028. A aposta é de Umberto Paulinelli, gestor do Confinamento JP e diretor do frigorífico Rio Maria, no Pará.
Anunciada em dezembro do ano passado pelo governo chinês, a medida tem duração prevista até 31 de dezembro de 2028.
Segundo Paulinelli, desde a implantação da cota o preço da tonelada do dianteiro vendida pelo Brasil aos chineses subiu 21%. Com isso, o consumidor chinês vai pagar mais caro pela carne.
Na opinião do pecuarista Roberto Paulinelli, sobrinho do ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, a cota brasileira deve ser preenchida até junho ou julho.
“Depois disso, vai ter um aumento de preço da carne chinesa, porque a nossa carne, que é a mais barata do mundo, não vai estar chegando. Então, eles terão de reavaliar a salvaguarda imposta ao Brasil para conter a inflação.”
Em entrevista à durante o Encontro de Confinamento e Recriadores realizado pela Scot Consultoria, em Ribeirão Preto (SP), Umberto afirmou, no entanto, que a questão da cota chinesa será positiva para o Brasil.
“Precisamos ser mais independentes da China, fortalecer nossa produção e abrir mercado em outros países para a nossa carne”, diz o pecuarista, que acompanha bem de perto a produção no frigorífico Rio Maria, única planta da família com certificação para exportar para a China.
Nos últimos anos, os Paulinelli, que chegaram ao Pará em 2006, investiram R$ 60 milhões na compra e reforma de um frigorífico em Goiás, primeira expansão dos negócios para outro Estado fora do bioma amazônico, além de outros R$ 20 milhões na planta de Canaã dos Carajás, também no Pará, para conseguir algumas habilitações de exportação.
“Neste ano e no próximo, a lógica é baixar os custos porque vai ter menos gado no mercado, menos boi disponível para abate. Se você abate menos dentro de uma planta, você tem um custo operacional maior. Então você já começa a reduzir investimentos, arruma a casa para passar esse ciclo para surfar a onda de novo no próximo ciclo.”
Formado há 20 anos em medicina veterinária e focado na produção de carne premium com a grife Bella Black, Umberto disse que 2026 deve ser um bom ano para os negócios da família porque a tendência é o preço da arroba se manter sustentado ao longo do ano. Ele calcula uma rentabilidade de 3,5% neste ano ante a média de 20 anos de 2,5% e trabalha com travamento de custos.
O que pode atrapalhar, segundo ele, é a exportação de gado vivo, já que houve uma explosão nos embarques de bezerros no Pará com a virada de ciclo pecuário.
No confinamento, Umberto investe em tecnologia para ser cada vez mais eficiente, inspirado no modelo americano. Ele diz que todos os índices do JP estão no top 10% dos melhores confinadores do Brasil no ranking da Cargill.
Uma das tecnologias adotadas no confinamento foi a adição de DDG na dieta dos animais no lugar do farelo de soja. Ele conheceu o produto em 2018, em uma visita aos Estados Unidos e, por estar próximo de indústrias de etanol de milho, consegue negociar bons preços.
Embora seja fã do sistema de produção americano, o pecuarista diz que não dá para copiar tudo no Brasil.
“Lá eles desmamam o bezerro e já mandam para o confinamento. Cerca de 95% do abate vem de confinamento, que é um processo de alto custo. Aqui estamos intensificando e chegamos a 18% no ano passado, mas nunca iremos chegar ao patamar americano de boi confinado.”
Fonte: Globo Rural.