
O bloqueio do Estreito de Ormuz tirou do mercado 800 mil toneladas métricas por mês de fertilizantes, com impacto que se espalha para vários países, segundo o RaboResearch, braço de pesquisas do Rabobank.
Na região, trafegam por via marítima 30% das exportações globais de ureia, 27% de amônia, 24% de fosfatos e 48% de enxofre. A paralisação gera um choque de oferta que não pode ser totalmente compensado, segundo Bruno Fonseca, analista sênior de insumos agrícolas do RaboResearch.
“A Índia está inclusive entrando no mercado com novas licitações para comprar 2,5 milhões de toneladas de ureia. Isso pode ajudar a impulsionar os preços para cima a curto prazo, porque o prazo para entrega de todos os fertilizantes é curto. A África, embora seja uma boa produtora no norte, também pode sofrer em outras regiões, já que não são grandes produtoras. Portanto, em todas as regiões que cobrimos, temos uma visão negativa sobre os fertilizantes”, afirmou Fonseca.
Ele observa que a interrupção na oferta de fertilizantes está se espalhando pelo mercado de energia em todo o mundo, com o sul da Ásia entre os mais afetados. O colapso do fluxo de gás natural liquefeito (GNL) do Catar reduziu a produção de nitrogênio na Índia, no Paquistão e em Bangladesh.
No norte da África, Egito e Argélia enfrentam custos crescentes do GNL e redução nos embarques de amônia e ureia.
Os fosfatados também enfrentam impacto desse cenário. A Saudi Arabian Mining Company (Ma’aden) não conseguiu enviar os volumes normais de fosfato diamônico (DAP) e fosfato monoamônico (MAP) porque os navios estão presos no Golfo Pérsico.
Com os navios bloqueados, o fornecimento de enxofre do Bahrein, Kuwait, Catar e Arábia Saudita está paralisado.
Aproximadamente 27% da amônia transportada por via marítima global foi interrompida pelo fechamento do estreito, elevando os preços de referência da amônia. Os produtores de fosfato dependentes de enxofre e amônia do Oriente Médio, como Marrocos, China e Indonésia, enfrentam margens comprimidas, com consequente redução na oferta.
Ao mesmo tempo, as opções de fornecimento alternativo estão se reduzindo à medida que os países introduzem medidas protetivas. A proibição de exportação de ureia pela Turquia interrompeu os embarques, incluindo cargas já carregadas para a Índia, redirecionando os volumes para o mercado interno.
A Rússia suspendeu as exportações de nitrato de amônio, justamente quando várias fábricas russas de nitrogênio enfrentam danos causados por drones e paralisações na produção. A China continua sendo um fornecedor de equilíbrio crucial, mas espera-se que as restrições à exportação de ureia, DAP/MAP, nitrogênio, Potássio e superfosfato simples e superfosfato duplo persistam, limitando o alívio global no fornecimento de nitrogênio e fosfatos.
Fonseca citou ainda como fontes de atenção as notícias de corte na produção de fosfato por empresas norte-americanas no Brasil e manutenções programas de produtores no norte da África. “Sinceramente, espero que os preços do fosfato permaneçam altos por mais tempo”, disse Fonseca.
Fonseca acrescentou que em janeiro de 2026, os preços da ureia começaram a subir devido à escassez temporária relacionada a licitações indianas. Após o início da guerra no Oriente Médio, os preços da ureia aumentaram globalmente em mais de 43%. A guerra na Ucrânia provocou um aumento de 62% em três semanas. Os preços atingiram um pico de 67% de aumento e retornaram aos níveis pré-conflito após 24 semanas.
Fonte: Globo Rural.