Preço do boi gordo encerra a semana com queda em São Paulo
18 de maio de 2026
Drones e inteligência artificial indicam momento ideal para abate de bovinos
18 de maio de 2026

China renova licenças e habilita mais 77 frigoríficos americanos de carne bovina

A China renovou as licenças de exportação de carne bovina de 402 frigoríficos americanos e habilitou mais 77 plantas dos Estados Unidos nesta sexta-feira (15/5).

As licenças estavam vencidas desde fevereiro e março do ano passado. Agora, os EUA têm 730 unidades habilitadas para exportar carne bovina aos chineses. Dessas, 38 continuam com embarques suspensos.

A renovação das autorizações e a habilitação de mais empresas foram encaradas pelo setor exportador brasileiro como um gesto político de Pequim durante a passagem do presidente Donald Trump pelo país, sem efeito prático no mercado no curto prazo.

A avaliação dos brasileiros é que os EUA enfrentam escassez de oferta de carne bovina e não terão condições de exportar grandes volumes para a China. Os americanos têm cota de 164 mil toneladas em 2026. Até fevereiro deste ano, o país vendeu menos de mil toneladas para os chineses. Na próxima semana, o governo chinês deverá divulgar dados atualizados das importações e do preenchimento das cotas.

“O efeito prático deverá ser bastante reduzido, uma vez que há disponibilidade reduzida de carne neste momento nos EUA”, disse Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.
A análise é compartilhada por exportadores e pessoas familiarizados com o tema na China. “Esse movimento já era esperado e não muda o cenário. Existe a cota, os EUA estão com rebanho bovino reduzido e não competimos com o tipo de carne que eles vendem para a China”, afirmou uma fonte que atua no país. Um exportador brasileiro disse que a volta dos EUA ao comércio com a China significa um concorrente a mais no mercado, mas sem capacidade de atrapalhar os negócios atuais.

Comércio Brasil-EUA

Enquanto isso, ainda não há clareza de como ficarão as vendas do Brasil para os americanos. No início da semana, Trump havia sinalizado a retirada da tarifa de 26,4% sobre as importações de carne bovina, o que poderia beneficiar os frigoríficos nacionais. A ordem executiva, no entanto, ainda não foi assinada.

Os EUA já são o segundo principal mercado para os abatedouros brasileiros, atrás apenas da China, que já comprou quase 475 mil toneladas do Brasil no primeiro quadrimestre. A eventual desoneração temporária dos chineses para os americanos, no entanto, não deve mudar o cenário neste momento em que ainda existe janela para exportar para a China, destino mais rentável para as empresas nacionais. A realidade pode ser diferente no segundo semestre do ano, quando a cota chinesa se esgotar, avaliou uma fonte do setor.

No acumulado entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 149,8 mil toneladas para os EUA, negócios que renderam US$ 962,5 milhões em receita para o setor.

Cota chinesa

A cota brasileira para a China é de 1,1 milhão de toneladas. Em 9 de maio, Pequim informou que 50% do volume já havia sido preenchido ao considerar cargas que entraram no país até meados de março.

Nas contas dos exportadores, volumes enviados pelo Brasil em abril, maio e junho vão praticamente esgotar a cota, já que os dados do governo federal mostram aceleração dos embarques para cerca de 140 mil toneladas mensais. Essas cargas chegarão à China até julho, quando deverá ser anunciado o preenchimento total.

Por isso, a perspectiva do setor é que o abate de bovinos e a produção de cortes para a China nos frigoríficos terão uma desaceleração a partir da segunda quinzena de junho.

Fonte: Globo Rural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *