

A China renovou as licenças de exportação de carne bovina de 402 frigoríficos americanos e habilitou mais 77 plantas dos Estados Unidos nesta sexta-feira (15/5).
As licenças estavam vencidas desde fevereiro e março do ano passado. Agora, os EUA têm 730 unidades habilitadas para exportar carne bovina aos chineses. Dessas, 38 continuam com embarques suspensos.
A renovação das autorizações e a habilitação de mais empresas foram encaradas pelo setor exportador brasileiro como um gesto político de Pequim durante a passagem do presidente Donald Trump pelo país, sem efeito prático no mercado no curto prazo.
A avaliação dos brasileiros é que os EUA enfrentam escassez de oferta de carne bovina e não terão condições de exportar grandes volumes para a China. Os americanos têm cota de 164 mil toneladas em 2026. Até fevereiro deste ano, o país vendeu menos de mil toneladas para os chineses. Na próxima semana, o governo chinês deverá divulgar dados atualizados das importações e do preenchimento das cotas.
“O efeito prático deverá ser bastante reduzido, uma vez que há disponibilidade reduzida de carne neste momento nos EUA”, disse Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.
A análise é compartilhada por exportadores e pessoas familiarizados com o tema na China. “Esse movimento já era esperado e não muda o cenário. Existe a cota, os EUA estão com rebanho bovino reduzido e não competimos com o tipo de carne que eles vendem para a China”, afirmou uma fonte que atua no país. Um exportador brasileiro disse que a volta dos EUA ao comércio com a China significa um concorrente a mais no mercado, mas sem capacidade de atrapalhar os negócios atuais.
Enquanto isso, ainda não há clareza de como ficarão as vendas do Brasil para os americanos. No início da semana, Trump havia sinalizado a retirada da tarifa de 26,4% sobre as importações de carne bovina, o que poderia beneficiar os frigoríficos nacionais. A ordem executiva, no entanto, ainda não foi assinada.
Os EUA já são o segundo principal mercado para os abatedouros brasileiros, atrás apenas da China, que já comprou quase 475 mil toneladas do Brasil no primeiro quadrimestre. A eventual desoneração temporária dos chineses para os americanos, no entanto, não deve mudar o cenário neste momento em que ainda existe janela para exportar para a China, destino mais rentável para as empresas nacionais. A realidade pode ser diferente no segundo semestre do ano, quando a cota chinesa se esgotar, avaliou uma fonte do setor.
No acumulado entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 149,8 mil toneladas para os EUA, negócios que renderam US$ 962,5 milhões em receita para o setor.
A cota brasileira para a China é de 1,1 milhão de toneladas. Em 9 de maio, Pequim informou que 50% do volume já havia sido preenchido ao considerar cargas que entraram no país até meados de março.
Nas contas dos exportadores, volumes enviados pelo Brasil em abril, maio e junho vão praticamente esgotar a cota, já que os dados do governo federal mostram aceleração dos embarques para cerca de 140 mil toneladas mensais. Essas cargas chegarão à China até julho, quando deverá ser anunciado o preenchimento total.
Por isso, a perspectiva do setor é que o abate de bovinos e a produção de cortes para a China nos frigoríficos terão uma desaceleração a partir da segunda quinzena de junho.
Fonte: Globo Rural.