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Na Austrália, confinamento bovino bate novo recorde histórico no primeiro trimestre de 2026

O setor de confinamento bovino da Austrália continua avançando em ritmo acelerado. Segundo levantamento trimestral divulgado pela indústria australiana, o número de bovinos confinados atingiu um novo recorde histórico em março de 2026, chegando a 1,629 milhão de cabeças. O volume representa aumento de 15 mil animais em relação ao recorde anterior, registrado em dezembro, além de um crescimento de 130 mil cabeças na comparação com março do ano passado.

A capacidade total dos confinamentos australianos também alcançou um novo recorde, chegando a 1,778 milhão de cabeças — aumento de 122 mil animais em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o Beef Central, pelo menos outros três projetos de expansão ou construção de confinamentos já estão em andamento no país, indicando que o ciclo de crescimento do setor ainda não terminou.

Taxa de ocupação segue próxima do limite

A taxa de utilização dos confinamentos — indicador que mede o percentual de ocupação em relação à capacidade disponível — permaneceu em níveis historicamente elevados, próxima de 92% no primeiro trimestre, repetindo o mesmo patamar observado em dezembro.

O relatório destaca que níveis acima de 90% normalmente são difíceis de sustentar por longos períodos devido à necessidade de manutenção, limpeza de currais e outras operações internas.

Queensland liderou a ocupação dos confinamentos, com taxa de 94,2%, seguida por New South Wales, com 92,4%. Já Victoria (83%), South Australia (88%) e Western Australia (70%) registraram níveis mais baixos.

Queensland concentra maior parte dos animais confinados

O maior crescimento no número de bovinos confinados ocorreu em Queensland. O estado adicionou 12 mil cabeças desde dezembro, alcançando 931 mil animais — mais de 57% de todo o gado confinado da Austrália.

South Australia e Western Australia também apresentaram crescimento sazonal, aumentando respectivamente 6 mil e 8 mil cabeças, chegando a 66 mil e 63,5 mil animais confinados.

Por outro lado, New South Wales registrou leve redução de 12 mil cabeças, recuando para 501 mil animais, enquanto Victoria permaneceu praticamente estável em 67,4 mil cabeças.

Crescimento mais forte ocorreu em confinamentos menores

Embora os grandes confinamentos continuem dominando a atividade, o crescimento mais acelerado no trimestre ocorreu entre operações menores.

Os confinamentos com capacidade entre 500 e 1.000 cabeças cresceram 39%, chegando a 64.160 animais. Já as estruturas com menos de 500 cabeças avançaram 30%, aproximando-se de 10 mil animais confinados.

Os confinamentos intermediários, entre 1.000 e 10 mil cabeças, seguiram movimento contrário e reduziram o volume em 22 mil animais, encerrando o trimestre com 426 mil cabeças.

Mesmo assim, os grandes operadores continuam dominando o setor australiano. Confinamentos com capacidade superior a 10 mil cabeças aumentaram modestamente em 15 mil animais, atingindo 1,129 milhão de cabeças. Hoje, quase 70% de todo o gado confinado em unidades credenciadas pelo NFAS está alojado em estruturas acima de 10 mil cabeças.

Programas longos de Wagyu continuam crescendo

O relatório também mostra mudanças importantes nos programas de alimentação.

O crescimento mais forte ocorreu nos confinamentos de longo prazo para Wagyu, acima de 300 dias de cocho. Ao mesmo tempo, houve pequenas reduções nos programas entre 60 e 99 dias e entre 100 e 199 dias de confinamento. Os programas entre 200 e 299 dias apresentaram leve expansão.

Abate de bovinos terminados em confinamento supera 1 milhão pela primeira vez

Com o avanço do confinamento, o abate de bovinos terminados em grãos também atingiu um recorde histórico na Austrália.

O volume de animais abatidos oriundos de confinamentos ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de cabeças em um único trimestre. No período encerrado em março, o abate chegou a 1,046 milhão de bovinos, alta de 11% em relação ao trimestre anterior.

O resultado ocorreu após dois trimestres consecutivos acima de 900 mil cabeças abatidas.

Setor segue otimista apesar das incertezas globais

O presidente da Australian Lot Feeders Association (ALFA), Grant Garey, afirmou que os resultados refletem a continuidade dos investimentos e da confiança no setor australiano de confinamento.

“Continuamos observando investimentos sustentados em capacidade, infraestrutura e eficiência operacional. Esses novos recordes de animais confinados, altas taxas de ocupação e volumes históricos de abate demonstram uma indústria que continua se fortalecendo”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Garey alertou para os riscos vindos do cenário internacional. Segundo ele, a introdução das cotas de acesso ao mercado chinês, a instabilidade no Oriente Médio e a pressão sobre combustíveis e fertilizantes aumentaram as incertezas globais.

No mercado interno, a seca em algumas regiões também vem impactando os mercados de gado e grãos, enquanto o aumento do custo de vida influencia o comportamento do consumidor australiano.

Mesmo assim, a percepção do setor permanece positiva.

“Apesar desses fatores, a confiança continua forte, a demanda global segue aquecida e os fundamentos permanecem sólidos”, afirmou Garey.

O analista sênior de mercado da MLA, Emiliano Diaz, destacou que os números mostram um setor em trajetória consistente de crescimento.

“Após anos de investimentos em capacidade de confinamento, era apenas uma questão de tempo até a indústria atingir 1 milhão de cabeças abatidas em um trimestre”, afirmou.

Segundo Diaz, manter taxas de ocupação acima de 90% mesmo com a expansão contínua da capacidade demonstra a força da demanda por carne bovina produzida em confinamento na Austrália.

Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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