

Foto: Mapa/Divulgação
Os frigoríficos brasileiros encerram a participação na Sial China 2026 com negócios mais comedidos do que no ano passado devido à conjuntura de mercado, com a proximidade de esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina. Foram gerados negócios imediatos de US$ 157 milhões, resultado 40,6% abaixo do de 2025. Já a prospecção de vendas futuras chegou a US$ 1,7 bilhão, número 22,6% menor na comparação com a feira anterior, de acordo com dados divulgados pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, avaliou como natural o resultado, por conta das incertezas no mercado com o avanço do preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026.
“Teve um resultado abaixo do ano passado, tendo em vista o momento da cota. Houve menos negócios, menos volume vendido, porque estamos vendo que no próximo mês a cota se esgota e não teremos mais volume disponível”, avaliou em conversa com a reportagem no fim do evento.
Perosa ressaltou, no entanto, que a perspectiva é de volta às negociações pelas empresas em outubro, já para venda de carne para entrar na China na cota de 2027, quando subirá levemente. “Foi uma feira cautelosa, houve negócios, mas foi diferente de 2025, que tinha sido muito positiva”, disse. Na Sial do ano passado, as vendas imediatas foram de US$ 265 milhões e a prospecção de negócios nos 12 meses seguintes chegou a US$ 2,2 bilhões.
Durante os três dias de evento, a Abiec ofereceu carne bovina brasileira em seu estande, que teve 1,2 mil metros quadros. A equipe da churrascaria brasileira Barbacoa serviu 200 quilos por dia, em média, de cortes como ancho, picanha e filé mignon.
A Abiec também divulgou o balanço do evento realizado na semana passada no interior da China. As rodadas de negócios com importadores de Chongqing renderam US$ 22 milhões imediatos e a prospecção de US$ 538,1 milhões ao longo dos próximos 12 meses.
Os contatos comerciais realizados pelas empresas associadas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na Sial China 2026 deverão gerar US$ 45,5 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses. Apenas durante os três dias do evento, os negócios efetivamente concretizados somaram US$ 3,25 milhões. Participaram da ação as companhias Alibem, Aurora, Bello, Somave e Vibra Foods.
Segundo a ABPA, a edição deste ano foi marcada pelo fortalecimento das negociações com compradores asiáticos e pela busca crescente por fornecedores capazes de garantir regularidade de abastecimento, previsibilidade logística e elevados padrões sanitários.
“A China e o mercado asiático seguem entre os principais polos de crescimento para a proteína animal brasileira. A Sial é uma plataforma estratégica para ampliar negócios, consolidar relacionamentos comerciais e reforçar o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável e competitivo para a segurança alimentar global”, avaliou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Fonte: Globo Rural.