
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira (16/6) com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na França, e colocou em pauta o possível veto do bloco às carnes e derivados do Brasil a partir de 3 de setembro deste ano. A restrição será aplicada se o governo brasileiro não comprovar o controle de uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.
O governo confirmou que o tema foi tratado entre Lula e os líderes máximos do bloco europeu. Em nota, disse que ficou definida a criação de um mecanismo de conversas entre os dois lados para tentar avançar para uma solução. Recentemente, o Valor mostrou que o possível embargo da UE e do Reino Unido, que aplica exigências semelhantes, havia ligado o alerta da alta cúpula do governo e escalado para o Palácio do Planalto.
O tema ainda é tratado em âmbito técnico. Nesta terça-feira, representantes do Ministério da Agricultura e da DG Santé (a direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar do bloco) se reuniram mais uma vez para tratar de mecanismos de controle e comprovação do não uso de produtos proibidos pelos europeus na alimentação e tratamento de animais no Brasil cuja carne e outros produtos são exportados para lá.
O encontro de Lula, von der Leyen e Costa ocorreu em Évian, na França, à margem da reunião do G7. “Trataram de temas da agenda bilateral, em particular das medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia. Definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos”, diz a nota do governo, divulgada pelo Palácio do Planalto.
“Comprometeram-se a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia”, completou a nota.
Em São Paulo, durante evento, o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o Brasil busca convencer a Europa a implementar um período de transição para atender às exigências. O pedido enfrenta resistências, segundo técnicos envolvidos no assunto.
“O que a gente está assistindo nesse impasse europeu não decorre de uma fragilidade do nosso sistema de defesa sanitárias, decorre de uma nova exigência que o mercado europeu faz. E estamos convencidos que muito rapidamente o Brasil estará habilitado a atender essa exigência”, disse o ministro, em vídeo publicado pela assessoria. “Nós estamos pactuando justamente esse processo de transição e eu tenho muito otimismo que nós possamos muito rapidamente vencer esse desafio”, completou.
Na semana passada, a indústria de carnes brasileira pediu ao Ministério da Agricultura a ampliação da proibição de uso de alguns antimicrobianos, o que gerou críticas do setor produtivo.
Internamente, a Pasta admite que a proposta está em discussão e que serviria, por exemplo, para atender exigências de controle em cadeias como a de frango, de ciclo mais curto. Já para a criação de bovinos, que tem animais abatidos entre 24 e 36 meses, a tentativa é negociar a transição.
Fonte: Globo Rural.