

As exportações de carne bovina do Brasil para a China atingiram 65,4% da cota estabelecida para este ano, de 1,1 milhão de toneladas, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (23/6) pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e a Administração-Geral de Alfândegas (GACC).
De janeiro até maio, entraram no país asiático 723,7 mil toneladas da proteína brasileira. O volume considera cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro.
Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do atingimento de 80% da cota. Alguns analistas acreditavam que esse nível já teria sido atingido no início de junho, já que os embarques no Brasil aceleraram em abril e maio. Nos dois meses foram embarcados 135 mil toneladas e 154 mil toneladas de carne bovina in natura, respectivamente.
Parte dessas cargas ainda está em trânsito para os portos chineses e serão contabilizadas em breve. Várias indústrias já reduziram os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho. O movimento é estratégico e busca evitar que as exportações sejam sobretaxadas ao chegar ao destino.
Há leituras diferentes no setor. Alguns empresários acreditam que é seguro exportar apenas até o fim deste mês, para garantir que a carne chegue à China em cerca de 45 dias ainda dentro da cota, sem pagar tarifa adicional de 55%. Já outros avaliam que poderão embarcar na primeira semana de julho, o que levaria o anúncio do esgotamento da cota para setembro.
A expectativa de preenchimento da cota de exportação de carne bovina à China, que deve ocorrer nos próximos meses, já mexe com o mercado do boi gordo, segundo relatório do Rabobank. A instituição aponta recuo de 6% no preço da arroba no mercado futuro em julho, cotada a R$ 333.
Por outro lado, segundo o relatório, os embarques para os Estados Unidos devem continuar com oportunidades no terceiro trimestre deste ano. A confirmação de ao menos 12 casos de screwworm (varejeira do Novo Mundo) e a manutenção da suspensão das importações de gado em pé do México reforçam um cenário de oferta restrita nos EUA, segundo o Rabobank.
“Soma-se a isso o perfil mais magro da carne brasileira, que atende à demanda da indústria local para blends na produção de hambúrgueres”, completa o relatório.
Já o embargo da União Europeia à carne brasileira, por conta do uso de antimicrobianos, deve exercer pressão negativa nos preços do boi gordo no próximo trimestre, conforme o Rabobank.
Os dados do governo chinês mostram que, de janeiro a maio, foram preenchidos 47,7% da cota de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina, dividida entre diversos fornecedores.
Os dados não estão totalmente atualizados. A Austrália, por exemplo, estava com 85,4% da cota de 205 mil toneladas utilizada em maio. Na semana passada, a China anunciou que o volume foi totalmente preenchido em 18 de junho.
A Argentina ocupou, até maio, 41,2% da cota de 511 mil toneladas até maio e o Uruguai, 22,3% do volume de 324 mil toneladas autorizado pelos chineses.
A Nova Zelândia exportou 45,8 mil toneladas nos cinco primeiros meses do ano, cerca de 22,2% da sua cota de 206 mil toneladas. As exportações dos Estados Unidos seguem praticamente zeradas. Até agora, foram internalizadas cerca de 803 toneladas, menos de 0,5% da cota de 164 mil toneladas para o ano.
Outros fornecedores enviaram 56 mil toneladas, o equivalente a 32,5% da cota de 172 mil toneladas para o ano inteiro.
Fonte: Globo Rural.