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Uruguai exporta menos carne em 2026, mas preços mais altos sustentam receita

O setor de carnes do Uruguai vive um cenário curioso em 2026: os embarques diminuíram de forma significativa, mas a receita com exportações praticamente se manteve graças à forte valorização dos preços internacionais.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Carnes (INAC) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, o país exportou 255,7 mil toneladas de carnes e produtos cárneos, uma queda de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da redução no volume, a receita somou US$ 1,324 bilhão, apenas 3% abaixo do registrado nos cinco primeiros meses do ano passado.

A explicação está no preço médio das exportações. Considerando todos os produtos cárneos embarcados, o valor médio alcançou US$ 5.180 por tonelada, um aumento de 15,7% na comparação anual.

Carne bovina segue dominando as exportações

A carne bovina continua sendo o principal produto da pauta exportadora do setor, respondendo por mais de 83% das receitas obtidas com carnes.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o Uruguai embarcou 195,9 mil toneladas de carne bovina, gerando US$ 1,108 bilhão em receita. O preço médio atingiu US$ 5.656 por tonelada, crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A carne ovina também apresentou valorização expressiva. Foram exportadas 4,4 mil toneladas, com receita de US$ 30 milhões e preço médio de US$ 6.832 por tonelada, avanço de 34,2% na comparação anual.

Menor oferta ajuda a sustentar preços

A valorização da carne uruguaia ocorre em um contexto de menor disponibilidade de animais para abate.

Segundo o INAC, entre janeiro e maio foram abatidos 922 mil bovinos, volume 17,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. No caso dos ovinos, o recuo foi ainda mais intenso, chegando a 29,1%.

A combinação entre menor oferta e demanda internacional firme contribuiu para elevar os preços médios das exportações, compensando parte da perda de volume.

EUA superam China como principal destino

Outra mudança relevante em 2026 foi a liderança dos países do bloco USMCA (Estados Unidos, México e Canadá) como principal destino das carnes uruguaias.

O bloco respondeu por US$ 443,6 milhões em compras, equivalente a 33,5% do faturamento total do setor. A China ficou logo atrás, com US$ 402,6 milhões (30,4%), enquanto a União Europeia ocupou a terceira posição, com US$ 230,8 milhões (17,4%).

A mudança reforça uma tendência observada nos últimos anos, com o mercado norte-americano ganhando relevância crescente para as carnes uruguaias, especialmente em momentos de preços elevados.

Mais valor, mesmo com menos carne

Os números mostram que 2026 está sendo marcado por uma estratégia cada vez mais baseada em valor do que em volume.

Embora o Uruguai esteja exportando menos carne, o aumento dos preços internacionais tem permitido preservar a receita do setor e ampliar o valor médio obtido por tonelada embarcada.

Para um país cuja produção é limitada em escala quando comparada a grandes exportadores mundiais, capturar mais valor por quilo produzido pode ser tão importante quanto aumentar os volumes exportados.

Fonte: El Observador, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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