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Frigol dará férias coletivas no Pará com preenchimento iminente de cota chinesa

A Frigol, uma das principais produtoras de carne bovina do Brasil, dará férias coletivas de 18 dias, a partir de 1º de julho, para quase mil funcionários que trabalham em sua unidade de Água Azul do Norte (PA), disse ao Valor o CEO da companhia, Luciano Pascon. A planta, a maior das seis operadas pela Frigol no país, abate 1,250 mil animais por dia e envia para a China aproximadamente 70% de sua produção, segundo o executivo. A medida se deve à perspectiva de preenchimento iminente da cota de carne bovina que o Brasil pode exportar aos chineses sem tarifa de 55%.

“O Pará tem uma restrição muito grande para exportar a outros destinos. Não exporta para Estados Unidos e União Europeia, por exemplo”, disse Pascon, acrescentando que tais consumidores são relevantes em volumes negociados e preços pagos. “Não conseguimos encaixar em outros mercados, de exportação e do Brasil, toda a produção que a China tomava. Então o ritmo de produção vai ter de passar por um ajuste”, continuou.

Da planta de Água Azul do Norte sai cerca de 30% de todo o volume que a Frigol exporta à China. Importadores chineses são atendidos ainda por outras unidades da empresa, que também terão produção reduzida em cerca de 20%, de acordo com Pascon. Para tais plantas, no entanto, não há previsão de férias coletivas.

No fim de 2025, a China estabeleceu cotas de exportação de carne bovina sem tarifação para diversos países fornecedores, que entraram em vigor neste ano, como forma de estimular a produção local do produto. No caso do Brasil, o limite é de 1,1 milhão de toneladas por ano sem tarifa adicional. A partir deste volume, a carga é taxada em 55%, o que inviabiliza as vendas.

De acordo com os últimos dados oficiais disponíveis sobre o preenchimento da cota chinesa, divulgados pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) na última terça-feira (23/06), o Brasil já havia preenchido 65,4% de sua cota até o fim de maio, com 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira desembarcadas no país entre janeiro e maio. Esse volume inclui cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro.

Como a China contabiliza o preenchimento com base no volume que desembarca em seus portos, parte dos exportadores brasileiros acredita que a cota será preenchida com os volumes embarcados até o fim deste mês ou começo de julho. Há expectativa de que as compras sejam retomadas a partir de outubro, para que os volumes negociados cheguem à China a partir de janeiro de 2027, sendo contabilizados na cota do ano que vem.

Ciente de que seria necessário interromper vendas para a China nesta época, a Frigol buscou antecipar vendas de carne bovina para outros mercados, “em um momento em que o mercado estava mais comprador”, disse Pascon. A tendência, contudo, é que importadores ofereçam preços mais baixos, cientes de que o Brasil terá volume excedente, não exportado à China.

Parte do que é destinado aos chineses pela Frigol vem sendo redirecionado para clientes de Israel, Europa, Canadá, Chile, Estados Unidos e Indonésia, assim como para o mercado interno, mas ainda assim é necessário reduzir o volume produzido, conforme Pascon.

Mesmo após o fim das férias coletivas dos funcionários da Frigol de Água Azul do Norte, a operação na unidade será retomada em escala reduzida, com produção 30% a 40% menor, disse o executivo. Considerando toda a produção da empresa, a perspectiva é de redução de 20% a 25%.

“Tudo vai depender de como se darão as condições de mercado”, disse ele. Existe a possibilidade, na avaliação do executivo, dos preços do boi gordo caírem um pouco com a menor demanda dos frigoríficos até outubro, ao mesmo tempo em que a demanda de outros clientes importadores e do mercado doméstico precisa ser observada.

Além da unidade de Água Azul do Norte, a Frigol opera as plantas de Lençóis Paulista (SP), São Félix do Xingu (PA), duas fábricas em Ji-Paraná (RO) e uma em Rolim de Moura (RO).

A Frigol não é a única a adotar medidas para reduzir a produção em razão do preenchimento da cota chinesa. Há cerca de uma semana, o Valor reportou que a JBS, líder global do mercado de carne bovina e que tem 18 das suas 34 plantas de bovinos no Brasil habilitadas para a China, interromperia a produção de cortes específicos para os chineses a partir do dia 20 de junho.

No início de junho, a reportagem mostrou que algumas unidades habilitadas para a China já tinham reduzido o ritmo de abates e produção de cortes específicos para aquele mercado.

Fonte: Globo Rural.

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