
A Tyson Foods, empresa americana de alimentos, deve apresentar um segundo trimestre fiscal ainda marcado pela pressão sobre a operação de carne bovina, embora mantenha alguma resiliência graças aos negócios de frango e alimentos preparados. Essa é a avaliação do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), divulgada nesta quinta-feira, 23.
As projeções do banco para a companhia apontam para receita de US$ 13,9 bilhões, EBITDA ajustado de US$ 812 milhões e lucro líquido ajustado de US$ 311 milhões no período.
Segundo o BTG, a indústria americana de carne atravessa uma deterioração simultânea dos principais ciclos de proteínas, eliminando o benefício que companhias diversificadas costumavam ter em momentos de crise.
“Neste ano, nossa percepção é de que a maior parte dos ciclos de proteína, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, está sofrendo erosão de forma simultânea”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla no relatório.
Para o BTG, a Tyson permanece exposta ao segmento mais pressionado da indústria americana: a carne bovina. A análise ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos EUA, com aumento de custos e margens apertadas.
Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.
Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.
Nessa linha, o banco projeta que a divisão de carne bovina registre receita de US$ 5,38 bilhões, mas prejuízo operacional ajustado de US$ 210 milhões, equivalente a uma margem negativa de 3,9%.
A deterioração reflete a continuidade do ciclo desfavorável da pecuária nos Estados Unidos, marcado pela escassez de gado para abate e pelo enfraquecimento dos spreads da indústria.
Em relatório divulgado em meados de julho, o BTG e o Santander afirmaram que esse quadro de piora do ciclo da carne deve se manter até 2028. Na avaliação do BTG, a situação permanece crítica em todo o setor.
Neste ano, a JBS anunciou o fechamento de uma unidade nos Estados Unidos, após Tyson e Cargill também encerrarem operações em unidades no país em 2025, movimento interpretado pelos analistas como evidência de que as condições da indústria são ainda piores do que o esperado.
Se a carne bovina continua sendo um fator de pressão, o frango segue como a principal fonte de rentabilidade da Tyson. Ainda assim, o BTG avalia que esse ciclo positivo começa a perder força.
A expectativa é de que a divisão de frango entregue receita de US$ 4,41 bilhões, com lucro operacional ajustado de US$ 498 milhões e margem de 11,3%. Apesar de permanecer elevada, a rentabilidade deve recuar em relação ao trimestre anterior.
Segundo o relatório, os preços do frango já começaram a ceder após atingirem máximas recentes, e as margens tendem a acompanhar esse movimento.
“A operação de frango vinha sendo o ponto positivo do portfólio, mas isso agora também parece estar mudando. Os preços já estão abaixo dos picos, e a expectativa é de que as margens sigam a mesma trajetória”, afirmam os analistas.
Outro fator de sustentação para a Tyson continua sendo a divisão de alimentos preparados.
O BTG estima receita de US$ 2,57 bilhões para o segmento, com lucro operacional ajustado de US$ 333 milhões e margem de 13%, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já a operação de carne suína deve apresentar desempenho moderado, com margem operacional de 3%.
Fonte: Exame.