

Um estudo inédito do instituto WRI Brasil propôs um protocolo unificado para as cadeias de soja e carne bovina brasileiras, visando facilitar o comércio com a China e atender às exigências internacionais sem criar novas regras. O grupo responsável entende que o Brasil já possui ferramentas suficientes para monitorar desmatamento e rastreabilidade, mas ressalta que elas são pulverizadas e utilizam critérios diferentes. A ideia é integrar essas iniciativas em um único referencial.
O estudo analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade. O diagnóstico é de que há diferenças em critérios de avaliação, datas de corte para desmatamento, controle de fornecedores indiretos e mecanismos de auditoria e verificação. Essa discrepância dificulta a compreensão pelos compradores internacionais e reduz a credibilidade dos sistemas, segundo os organizadores.
De acordo com o WRI, compradores internacionais enfrentam dificuldades para entender qual protocolo seguir, enquanto investidores encontram dificuldades para avaliar riscos. O documento Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains (Rastreando a responsabilidade: Fortalecimento do monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil) foi desenvolvido com apoio da BV Rio, da Amigos da Terra, dos Principles for Responsible Investment (PRI – Londres), do WRI China e da Proforest (Pequim).
A ideia não é criar novas regras, mas integrar as existentes. A proposta prevê harmonização dos critérios técnicos, integração das bases de dados, simplificação de auditorias, entre outros itens. Segundo o instituto, um protocolo unificado representa uma oportunidade para melhorar a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e alinhar os sistemas nacionais às expectativas internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).
“Em termos gerais, trata-se de um caminho estratégico para alinhar os diferentes atores, fortalecer a credibilidade das cadeias produtivas e apoiar a implementação de compromissos bilaterais de sustentabilidade”, afirma o relatório divulgado nesta terça-feira (28/7).
O estudo destaca ainda que a China é o maior comprador das commodities agropecuárias brasileiras, e que o Brasil e o gigante asiático podem liderar a construção de um padrão internacional para cadeias livres de desmatamento.
No caso da pecuária, o documento propõe acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, não esperar que a identificação individual obrigatória esteja totalmente implementada e migrar gradualmente para sistemas individuais de rastreabilidade.
Para a soja, as recomendações incluem ampliar a rastreabilidade até a fazenda de origem, integrar tradings, cooperativas e plataformas estaduais, unir notas fiscais para fortalecer a rastreabilidade e criar mecanismos de bloqueio de fornecedores que descumprirem critérios socioambientais.
Fonte: Globo Rural.