
A Argentina conquistou acesso ao mercado da Indonésia para exportação de carne bovina e miúdos, ampliando a presença de fornecedores em um dos maiores mercados importadores da Ásia. A abertura ocorre em um momento em que o país asiático busca diversificar suas origens de abastecimento e reduzir sua dependência tradicional da Austrália.
A autorização é resultado de um acordo sanitário firmado entre o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (SENASA) e a Direção-Geral de Pecuária e Serviços de Saúde Animal da Indonésia (DGLAHS), permitindo que os exportadores argentinos atendam às exigências de importação do país. O acordo também contempla produtos lácteos argentinos.
Com quase 288 milhões de habitantes, a Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo. Além disso, mais de 87% da população é muçulmana, o que torna indispensável o cumprimento dos requisitos halal para os produtos importados. Com um rebanho bovino estimado em menos de 12 milhões de cabeças, o país depende fortemente das importações de carne bovina e lácteos para atender à demanda doméstica.
Historicamente, a maior parte da carne bovina e dos miúdos importados pela Indonésia tem origem na Austrália, tanto por meio de bovinos vivos quanto de carne bovina industrializada. Nos últimos anos, porém, Jacarta vem ampliando sua base de fornecedores.
Em 2016, o mercado foi aberto para a carne congelada de búfalo da Índia. Em 2026, o governo indonésio também ampliou significativamente as cotas para carne bovina do Brasil e concedeu acesso livre de tarifas à carne dos Estados Unidos por meio de um acordo bilateral de comércio firmado em fevereiro.
Embora os Estados Unidos enfrentem limitações de oferta devido ao menor rebanho bovino, o Brasil tem avançado rapidamente sobre esse mercado. No primeiro semestre deste ano, o país tornou-se o segundo maior fornecedor de miúdos bovinos para a Indonésia, com volumes de exportação próximos aos da Austrália.
Agora, a Argentina passa a integrar esse grupo de fornecedores, reforçando a estratégia da Indonésia de diversificar suas importações.
A abertura do mercado ocorre após uma série de medidas adotadas pelo governo do presidente Javier Milei para ampliar as exportações agropecuárias. No fim de 2024, a Argentina encerrou uma proibição de três anos e meio às exportações de carne bovina. Já no início de 2025, revogou uma restrição de 52 anos às exportações de bovinos vivos.
As negociações com a Indonésia já vinham sendo conduzidas desde o ano passado. Em dezembro de 2025, autoridades argentinas e indonésias discutiram protocolos sanitários e fitossanitários, requisitos de certificação e a adequação aos rigorosos padrões halal exigidos pelo mercado local.
A expectativa é que a Argentina exporte desde carne bovina congelada destinada à indústria e diferentes tipos de miúdos até cortes de maior valor agregado voltados para hotéis, restaurantes e redes modernas de varejo.
Segundo fontes do comércio ouvidas pelo Beef Central, o aumento da oferta de carne sul-americana no Sudeste Asiático vem ocupando um segmento intermediário em preço e qualidade, posicionando-se entre a carne premium australiana e a carne de búfalo indiana, de menor valor. Nesse cenário, a entrada da Argentina tende a aumentar a concorrência pelos volumes de importação disponíveis, especialmente no mercado de miúdos e carne com osso.
Dados da Meat & Livestock Australia (MLA) mostram que a produção doméstica atende a apenas 65% do consumo de carne bovina da Indonésia. Nos 12 meses encerrados em agosto de 2024, o país importou 146.040 toneladas de carne bovina (peso embarcado). A Austrália respondeu por 49% desse volume, seguida pela Índia, com 37%, enquanto Estados Unidos e Nova Zelândia forneceram a maior parte do restante das importações.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.