Dificuldades para preencher escalas de abate sustentam preços do boi gordo
5 de agosto de 2026

Ministro diz que é ‘inaceitável’ ausência do Brasil da lista de exportadores de carne à União Europeia

O governo federal trabalha para reverter a barreira imposta pela União Europeia à entrada de produtos de origem animal do Brasil e busca garantir a permanência do país na lista de fornecedores do bloco, disse o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

Em conversa com a imprensa durante o Congresso do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo, nesta terça-feira (4/8), ele afirmou que “o governo está disposto a trabalhar tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista diplomático e político” para reverter a decisão da UE. Ele acrescentou que representantes brasileiros já realizaram reuniões com a Comissão Europeia.

A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos derivados de animais a partir de 3 de setembro, alegando que o país não comprovou o cumprimento das exigências do bloco em todo o ciclo de vida dos animais. A Europa proíbe o uso em animais de antimicrobianos como promotores de crescimento e de medicamentos destinados ao uso humano.

O governo vem tentando negociar com o bloco um prazo de transição para entregar o controle completo do ciclo de vida dos bovinos. Também estuda proibir o uso dos insumos de forma geral no país – regra hoje mais restritiva para os exportadores que enviam carne aos europeus – como sinalização do cumprimento futuro das exigências para a UE.

De acordo com o ministro, “é inaceitável para o Brasil estar fora da lista”. Ele afirmou que exigências como as relacionadas ao uso de antimicrobianos podem demandar um período de adaptação dos produtores, mas disse que o Brasil continua reconhecido como fornecedor do bloco. “Nós fornecemos para eles há muito tempo, há décadas, e também para muitos mercados que são tão ou mais exigentes do que o mercado europeu”, disse.

Além disso, de Paula afirmou que o governo trabalha para evitar que as restrições afetem a cadeia produtiva e apontou para uma possível fase de transição. Segundo ele, há expectativa de que essas cadeias estejam habilitadas a continuar fornecendo produtos ao mercado europeu já no início de setembro.

Paralelamente às negociações com o bloco europeu, o ministro destacou que o governo busca diversificar os mercados compradores e citou a missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto. “Por mais importante que seja qualquer mercado, precisamos ter essa capacidade de sobreviver sem ele”, disse.

De Paula também destacou que o Brasil exporta para 180 países e territórios e já abriu 664 mercados. Segundo o ministro, a presença brasileira em diferentes destinos demonstra a qualidade, a competitividade e a eficiência do sistema sanitário nacional.

Indústrias têm “esperança”

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, disse ter “esperança” de que o governo brasileiro conseguirá negociar com a União Europeia um período de transição para o cumprimento das regras do bloco referentes ao uso de antimicrobianos na cadeia bovina. Desta forma, o país poderia continuar exportando ao mercado europeu a partir de setembro. Perosa falou a jornalistas nos bastidores do primeiro dia do Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs).

“A realidade hoje é que isso (o cumprimento das regras europeias) demoraria um ciclo”, afirmou Perosa a jornalistas, referindo-se ao prazo de dois a três anos entre o nascimento do bezerro e seu abate como boi gordo. Como a UE quer comprovação do não uso dos produtos em todo o ciclo de vida do animal, o Brasil poderia demorar de dois a três anos para voltar a exportar carne bovina ao bloco.

“Hoje o que está colocado é isso, há risco”, continuou, referindo-se à possibilidade de o país não poder mais exportar carne bovina aos europeus a partir de setembro. “Mas temos esperança que o governo brasileiro consiga negociar com a Europa uma transição maior, para que possamos manter o fluxo comercial”, continuou.

Fonte: Globo Rural.

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