Indicador do Boi DATAGRO – Boletim de 11-agosto-2026
12 de agosto de 2026

Brasil deve reduzir abates com fim de cota chinesa e restrições da UE, diz JBS

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, avaliou nesta terça-feira (11/8), durante teleconferência sobre os resultados da empresa no segundo trimestre de 2026, que o Brasil deve precisar reduzir o abate de gado bovino neste ano, em virtude de menor demanda de parceiros comerciais.

O principal deles é a China, que estabeleceu uma cota anual de exportação para o Brasil, sem tarifa adicional, de 1,1 milhão de toneladas, inferior ao volume de quase 1,7 milhão de toneladas enviado ao país asiático em 2025. Oficialmente, o Brasil já utilizou 90% da cota, considerando os volumes de carne que chegaram à China. Mas exportadores praticamente deixaram de embarcar o produto, por receio de que o volume extrapole a cota e sobre ele incida tarifa extra de 55%.

Outro desafio às exportações brasileiras em 2026 é a restrição imposta pela União Europeia, que excluiu o Brasil da lista de países autorizados a vendar ao bloco produtos de origem animal, incluindo carnes. Os europeus alegam que o Brasil falhou em comprovar que cumpre as regras europeias de uso de antimicrobianos na produção, o que implica não utilizar os medicamentos como promotores de crescimento nem recorrer a produtos que também se destinem a tratamento humano.

Para a carne bovina, o desafio de comprovação é maior porque os europeus exigem o controle ao longo de toda a vida do animal. O Brasil, portanto, demoraria de dois a três anos para comprovar o cumprimento das regras a partir de hoje.

“Vemos um mercado difícil neste período, mas acreditamos que voltará a uma situação saudável nos próximos meses”, disse Tomazoni a analistas.

Durante a teleconferência, o executivo também mencionou que reduzir a alavancagem, que aumentou no segundo trimestre, é uma prioridade para a companhia. No fim do segundo trimestre, a relação entre a dívida líquida da JBS e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no período de 12 meses findos no trimestre chegou a 3,1 vezes, acima das 2,27 vezes de um ano antes.

Novo comando

Também presente na teleconferência, o CEO da JBS USA e futuro CEO global da JBS, Wesley Batista Filho, reforçou a analistas o alinhamento com o trabalho feito por Tomazoni nos últimos anos, com o qual Batista Filho trabalha há mais de uma década.

“Não esperem ver mudanças de estratégia significativas na JBS. Trabalhamos juntos há muito tempo. Não há JBS do Wesley Batista Filho”, afirmou.

Fonte: Globo Rural.

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