

Foto: Divulgação Minerva
A Minerva, maior exportadora de carne bovina in natura e derivados da América do Sul, vem ampliando operações de confinamento em diferentes países do continente nos quais atua, ao mesmo tempo em que expande estoques de produtos em destinos consumidores relevantes, como Estados Unidos e China, segundo o diretor presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz. Ele participou de teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira (13/08).
“É parte da estratégia da Minerva estar mais posicionada no upstream [criação de gado] e downstream [etapas posteriores da produção de carne], especialmente nos mercados mais relevantes sujeitos a cotas”, disse Queiroz a analistas. “Estamos expandindo operações de confinamento e com suporte para animais de terceiros, não só no Brasil, mas principalmente no Paraguai e na Argentina”, afirmou em outro momento o diretor financeiro, Edison Ticle.
A Minerva vem adotando modelos diferentes em cada país da América do Sul, dependendo dos estímulos locais. Na Argentina, segundo Ticle, a empresa quer ter uma “posição importante” de confinamento próprio, mas o gado não precisa ser apenas da companhia. “Pode ser um boitel, receber gado de parceiro. Vamos usar isso [confinamentos próprios] cada vez mais, pois dá previsibilidade de fornecimento, qualidade da matéria-prima e ajuda na compra de gado”, afirmou o diretor financeiro.
A estratégia fortalece outra medida que vem sendo adotada pela companhia ao menos desde o ano passado, de ampliar estoques de carne bovina em grandes consumidores, como Estados Unidos e China, para continuar vendendo a tais clientes mesmo após o preenchimento de cotas.
Foi o que aconteceu no segundo trimestre, quando a Minerva aumentou estoques, principalmente na China, antes da cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional de 55%, estabelecida pelo país asiático para o Brasil em 2026, ser preenchida. Em entrevista a jornalistas na quarta-feira (12/08), Ticle disse que havia entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões em recebíveis no segundo trimestre, em boa medida referentes a vendas aos chineses, que serão pagas quando as cargas chegarem ao país.
Mesmo que oficialmente o Brasil tenha preenchido 90% da cota, parte dos volumes deste ano ainda chegará nos portos chineses. No cálculo, a China considera as cargas que chegam ao país, por isso exportadores brasileiros praticamente interromperam embarques à China, para evitar taxação no destino para volumes que excedam o limite.
Na entrevista de quarta-feira, Ticle também disse que a empresa nunca teve estoques tão altos de carne. Nesta quinta-feira (13/08), o executivo informou a analistas que a posição atual de estoque é ainda maior que ao fim de junho.
“Há possibilidade de realização de estoques de até R$ 3 bilhões no curto prazo, no terceiro trimestre, e um pouco mais que isso se somarmos o terceiro e o quarto trimestre”, afirmou. Com o faturamento destes estoques à medida que o produto chegar ao destino, a alavancagem – relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses encerrados no período — deve diminuir, de 2,9 vezes no segundo trimestre para 2,2 ou 2,3 vezes no fim do ano, conforme o executivo.
“Estou sendo bastante conservador, baseado no que foi o segundo semestre do ano passado. Podemos ter um upside [revisão para cima] nesses números”, explicou Ticle. “Se olhar no histórico o quanto o primeiro semestre representa do Ebitda no ano e aplicar para esse ano, podemos chegar a um número perto ou até acima de R$ 5 bilhões no ano, mesmo com alguma redução de margem [de Ebitda] em função do aumento do preço do gado”, continuou.
Queiroz disse a analistas que a empresa não fez ainda estoques de carne bovina visando o preenchimento da cota chinesa de 2027. Conforme o executivo, neste momento o foco é suprir o país com os estoques provenientes do Brasil e com carne da Argentina e Uruguai.
Os executivos reiteraram que o fim da cota da China não deve se traduzir em volumes menores da Minerva vendidos ao país asiático em 2026. Segundo Ticle, a empresa continuará vendendo aos chineses a partir dos outros países onde atua. Além disso, a maioria das plantas da companhia habilitadas para a China possui habilitação para exportar aos Estados Unidos, algo com o qual muitos exportadores brasileiros não contam, o que os leva a direcionar ao mercado brasileiro parte do excedente, disse Ticle. Os Estados Unidos são o segundo mercado mais relevante para a Minerva, gerando 10% da receita bruta no segundo trimestre.
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Minerva expande operações de confinamento na América do Sul enquanto eleva estoques
Teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026 aconteceu nesta quinta-feira
Por Clarice Couto — São Paulo
13/08/2026 13h21 Atualizado há 18 horas
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Empresa nunca teve estoques tão altos de carne, segundo executivo
Empresa nunca teve estoques tão altos de carne, segundo executivo — Foto: Minerva Foods
A Minerva, maior exportadora de carne bovina in natura e derivados da América do Sul, vem ampliando operações de confinamento em diferentes países do continente nos quais atua, ao mesmo tempo em que expande estoques de produtos em destinos consumidores relevantes, como Estados Unidos e China, segundo o diretor presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz. Ele participou de teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira (13/08).
“É parte da estratégia da Minerva estar mais posicionada no upstream [criação de gado] e downstream [etapas posteriores da produção de carne], especialmente nos mercados mais relevantes sujeitos a cotas”, disse Queiroz a analistas. “Estamos expandindo operações de confinamento e com suporte para animais de terceiros, não só no Brasil, mas principalmente no Paraguai e na Argentina”, afirmou em outro momento o diretor financeiro, Edison Ticle.
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A Minerva vem adotando modelos diferentes em cada país da América do Sul, dependendo dos estímulos locais. Na Argentina, segundo Ticle, a empresa quer ter uma “posição importante” de confinamento próprio, mas o gado não precisa ser apenas da companhia. “Pode ser um boitel, receber gado de parceiro. Vamos usar isso [confinamentos próprios] cada vez mais, pois dá previsibilidade de fornecimento, qualidade da matéria-prima e ajuda na compra de gado”, afirmou o diretor financeiro.
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A estratégia fortalece outra medida que vem sendo adotada pela companhia ao menos desde o ano passado, de ampliar estoques de carne bovina em grandes consumidores, como Estados Unidos e China, para continuar vendendo a tais clientes mesmo após o preenchimento de cotas.
Foi o que aconteceu no segundo trimestre, quando a Minerva aumentou estoques, principalmente na China, antes da cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional de 55%, estabelecida pelo país asiático para o Brasil em 2026, ser preenchida. Em entrevista a jornalistas na quarta-feira (12/08), Ticle disse que havia entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões em recebíveis no segundo trimestre, em boa medida referentes a vendas aos chineses, que serão pagas quando as cargas chegarem ao país.
Mesmo que oficialmente o Brasil tenha preenchido 90% da cota, parte dos volumes deste ano ainda chegará nos portos chineses. No cálculo, a China considera as cargas que chegam ao país, por isso exportadores brasileiros praticamente interromperam embarques à China, para evitar taxação no destino para volumes que excedam o limite.
Na entrevista de quarta-feira, Ticle também disse que a empresa nunca teve estoques tão altos de carne. Nesta quinta-feira (13/08), o executivo informou a analistas que a posição atual de estoque é ainda maior que ao fim de junho.
“Há possibilidade de realização de estoques de até R$ 3 bilhões no curto prazo, no terceiro trimestre, e um pouco mais que isso se somarmos o terceiro e o quarto trimestre”, afirmou. Com o faturamento destes estoques à medida que o produto chegar ao destino, a alavancagem – relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses encerrados no período — deve diminuir, de 2,9 vezes no segundo trimestre para 2,2 ou 2,3 vezes no fim do ano, conforme o executivo.
“Estou sendo bastante conservador, baseado no que foi o segundo semestre do ano passado. Podemos ter um upside [revisão para cima] nesses números”, explicou Ticle. “Se olhar no histórico o quanto o primeiro semestre representa do Ebitda no ano e aplicar para esse ano, podemos chegar a um número perto ou até acima de R$ 5 bilhões no ano, mesmo com alguma redução de margem [de Ebitda] em função do aumento do preço do gado”, continuou.
Queiroz disse a analistas que a empresa não fez ainda estoques de carne bovina visando o preenchimento da cota chinesa de 2027. Conforme o executivo, neste momento o foco é suprir o país com os estoques provenientes do Brasil e com carne da Argentina e Uruguai.
Os executivos reiteraram que o fim da cota da China não deve se traduzir em volumes menores da Minerva vendidos ao país asiático em 2026. Segundo Ticle, a empresa continuará vendendo aos chineses a partir dos outros países onde atua. Além disso, a maioria das plantas da companhia habilitadas para a China possui habilitação para exportar aos Estados Unidos, algo com o qual muitos exportadores brasileiros não contam, o que os leva a direcionar ao mercado brasileiro parte do excedente, disse Ticle. Os Estados Unidos são o segundo mercado mais relevante para a Minerva, gerando 10% da receita bruta no segundo trimestre.
Quanto à União Europeia, que deve suspender importações de carne bovina do Brasil a partir de setembro alegando que o país não comprovou o cumprimento de regras sobre antimicrobianos, a Minerva pretende continuar abastecendo o bloco com carne da Argentina, Uruguai e Paraguai. Os executivos lembraram que a Europa responde por um dígito (6%) da receita bruta da empresa (segundo trimestre) e apenas uma parcela disso sai do Brasil.
Fonte: Globo Rural.