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Austrália bate novo recorde de bovinos em confinamento, com 1,66 milhão de cabeças

Número de animais confinados cresceu novamente no segundo trimestre de 2026, enquanto capacidade instalada e abates também atingiram níveis recordes no país.

A pecuária australiana alcançou um novo recorde no número de bovinos mantidos em confinamento. Ao final do segundo trimestre de 2026, 1,66 milhão de cabeças estavam alojadas em feedlots no país, aumento de 30 mil animais, ou 1,8%, em relação ao trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de quase 81 mil cabeças. Segundo dados divulgados pela indústria australiana, o avanço está relacionado principalmente à expansão de confinamentos já existentes e à entrada em operação de novas unidades.

Capacidade dos confinamentos também é recorde

O crescimento não está ocorrendo apenas na quantidade de animais alojados. A capacidade total dos confinamentos australianos chegou a 1,795 milhão de cabeças no final de junho, quase 89 mil a mais do que um ano antes.

Com isso, a taxa de utilização da estrutura instalada ficou em 92,5%, mesmo nível registrado no segundo trimestre de 2025. Segundo a publicação, taxas superiores a esse patamar são difíceis de sustentar comercialmente, já que parte das instalações precisa permanecer disponível para limpeza das baias, manutenção e outras atividades operacionais.

Queensland concentra a maior quantidade de animais confinados e está cada vez mais próximo da marca de 1 milhão de cabeças. No segundo trimestre, o estado registrou 973 mil bovinos em confinamento, 80 mil a mais do que no mesmo período do ano passado.

A taxa de utilização dos confinamentos de Queensland chegou a impressionantes 98,4%, enquanto as saídas de animais aumentaram 3,2%, alcançando 653.734 cabeças. A elevada participação de programas de alimentação prolongada para produção de Wagyu pode ajudar a explicar esse nível excepcional de ocupação.

Nova Gales do Sul também ultrapassou uma marca importante, chegando a 503.502 animais confinados, crescimento de 32 mil cabeças em relação ao ano anterior. A taxa de utilização ficou em 90%.

Victoria, por outro lado, apresentou retração, com 63.500 animais, 8.600 a menos do que em junho de 2025. Nova Gales do Sul foi ainda responsável por grande parte do crescimento da capacidade nacional, que aumentou 3% no estado e chegou a 558.600 cabeças.

Alta surpreendeu parte do setor

O novo aumento no número de bovinos confinados surpreendeu alguns participantes do mercado australiano.

Havia expectativa de que a elevação dos preços dos grãos destinados à alimentação e condições menos favoráveis em alguns mercados internacionais pudessem provocar uma pequena redução no número de animais alojados.

Mesmo diante desse cenário, o confinamento australiano manteve sua trajetória de crescimento.

Um dos fatores que ajudam a explicar esse movimento está na demanda internacional por carne bovina produzida com grãos.

As exportações australianas desse tipo de carne alcançaram 121.750 toneladas no trimestre encerrado em junho, o maior volume já registrado para um segundo trimestre.

Além do estoque recorde dentro dos confinamentos, as saídas de animais também alcançaram uma máxima histórica. Os feedlots australianos entregaram 1,05 milhão de bovinos no segundo trimestre de 2026, volume 0,4% superior ao primeiro trimestre e 17,5% maior do que no mesmo período de 2025.

Japão e Coreia do Sul ganham importância

O desempenho das exportações mostra também como a diversificação dos destinos tem ajudado a indústria australiana.

Segundo Emiliano Diaz, analista sênior de informações de mercado da MLA (Meat & Livestock Australia), as 121.750 toneladas exportadas no trimestre representaram crescimento de 7,7% sobre o mesmo período do ano passado.

A demanda de mercados importantes, especialmente Japão e Coreia do Sul, ajudou a compensar as dificuldades enfrentadas no mercado chinês.

As exportações para a Coreia do Sul cresceram 29% no trimestre, chegando a 25.027 toneladas, enquanto os embarques para o Japão avançaram 21%, para 32.656 toneladas.

Já as vendas para a China recuaram 16%, para 35.884 toneladas, em meio a dificuldades de acesso ao mercado.

Os dados mais recentes de julho mostram uma pressão ainda maior no mercado chinês. As exportações australianas de carne de animais terminados com grãos para a China caíram 69% em relação a julho do ano passado, para apenas 5.041 toneladas, após a entrada em vigor de uma tarifa de 55%.

No mesmo período, os embarques aumentaram 5% para o Japão, 51% para a Coreia do Sul e 4% para a América do Norte.

Menor oferta de animais pressiona preços

Enquanto os confinamentos trabalham próximos do limite da capacidade instalada, a disponibilidade de animais para reposição apresentou redução durante o trimestre.

O volume negociado de novilhos destinados aos confinamentos caiu 11%, para 76.707 cabeças, enquanto o de novilhas recuou 13%, para 67.412 animais.

Com a oferta mais restrita, os preços avançaram. O indicador de novilhos para confinamento subiu 2,5%, para 485 centavos de dólar australiano por quilo de peso vivo, enquanto o indicador das novilhas aumentou 4,7%, chegando a 439 centavos/kg.

Segundo Diaz, a melhora das condições sazonais em partes de Nova Gales do Sul e do sul de Queensland também está influenciando as decisões dos produtores e contribuindo para restringir a disponibilidade de animais.

Ao mesmo tempo, a alta dos preços dos grãos elevou os custos de alimentação, aumentando a importância da eficiência operacional ao longo da cadeia.

Investimento acompanha demanda por carne de maior valor

Para Grant Garey, presidente da Australian Lot Feeders Association (ALFA), os resultados refletem tanto a força da demanda mundial por carne australiana produzida em sistemas de alimentação com grãos quanto os investimentos realizados pelo setor de confinamento.

Na avaliação da entidade, esse tipo de produção permite atender com maior regularidade especificações relacionadas a marmoreio, qualidade de consumo e características de carcaça exigidas por mercados premium.

A expansão da infraestrutura, portanto, acompanha uma estratégia voltada não apenas para aumentar a produção, mas também para fornecer carne com características mais padronizadas para diferentes mercados internacionais.

Os números do segundo trimestre reforçam a dimensão que o confinamento adquiriu na pecuária australiana: recorde de 1,66 milhão de animais alojados, capacidade próxima de 1,8 milhão de cabeças, ocupação superior a 92% e mais de 1 milhão de animais comercializados em apenas três meses.

Mesmo diante de custos maiores de alimentação e dificuldades em mercados como a China, a combinação entre investimentos em capacidade produtiva e demanda de destinos como Japão e Coreia do Sul mantém os confinamentos australianos operando em níveis historicamente elevados.

Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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