

O Brasil tem condições de exportar aos Estados Unidos entre 30% e 40% do volume de 300 mil toneladas de carne bovina que Washington permitirá entrar em seu mercado sem tarifa nos próximos 90 dias, na visão de analistas. Na sexta-feira (21), o presidente Donald Trump, disse, em sua rede social Truth Social, que os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas do produto destinado à fabricação de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas dos países fornecedores.
“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump na rede social. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, continuou.
Ele não informou quais países fornecerão a carne. A medida ocorre após outras iniciativas do governo dos EUA para aumentar a oferta de carne bovina no mercado americano e conter a alta dos preços, como a expansão das importações de carne da Argentina e a retomada das compras de gado vivo do México para abate. O rebanho americano é um dos menores em mais de 70 anos.
Após a publicação, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse em nota que não recebera, até aquele momento, informações oficiais sobre como a medida será implementada ou detalhes sobre volumes e países que poderão ser contemplados. Mas afirmou que “uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”.
A entidade lembrou que, atualmente, o Brasil conta com uma cota compartilhada com outros fornecedores. Após o esgotamento do volume, as exportações brasileiras pagam tarifa extra-cota de 26,4%. “Por isso, qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, disse.
No fim da tarde de sexta, o presidente americano voltou a tratar do tema. “Queremos baixar os preços da carne bovina, vamos reduzi-los um pouco, e é isso que as pessoas querem. É isso que os eleitores querem, e é isso que eu quero”, afirmou a jornalistas, antes de embarcar no Air Force One para Myrtle Beach, na Carolina do Sul.
“Os pecuaristas [americanos] são ótimos, são a minha gente. Eu adoro os pecuaristas, eles fizeram um trabalho fantástico, mas admitem que precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços”, disse.
Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o Brasil poderá abocanhar até 120 mil toneladas do total autorizado. Segundo ele, o Brasil está “bem posicionado” em termos de plantas habilitadas para vender aos EUA e de potencial de oferta de carne magra para suprir a demanda americana.
Nas contas de Iglesias, os frigoríficos brasileiros poderão preencher de 30% a 40% do volume total. De janeiro a julho, o Brasil exportou 223,8 mil toneladas de carne bovina aos americanos, o que gerou receita de US$ 1,5 bilhão.
Fonte: Globo Rural.