
As mudanças tarifárias impostas por alguns dos principais compradores de carne bovina da Austrália já começam a alterar de forma clara o destino das exportações do país.
Em agosto, os embarques australianos somaram 128,8 mil toneladas, queda de 10% em relação a julho. Segundo o Beef Central, porém, boa parte dessa redução está relacionada à menor produção durante o inverno australiano, e não necessariamente a uma retração da demanda internacional.
No acumulado de janeiro a agosto, a Austrália já exportou 1,078 milhão de toneladas de carne bovina, volume 9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Por trás desse desempenho positivo, entretanto, há uma mudança importante na distribuição dos embarques entre os principais mercados.
A maior transformação aconteceu na China.
Em agosto, os embarques australianos para o mercado chinês ficaram em apenas 7,79 mil toneladas. No mesmo mês de 2025, haviam alcançado 22,3 mil toneladas — quase três vezes o volume atual.
A queda está diretamente relacionada ao sistema de cotas adotado pela China. A Austrália atingiu sua cota de 205 mil toneladas para 2026 ainda em 19 de junho. Desde então, os embarques que excedem o limite estão sujeitos a uma tarifa de 55%.
Mesmo com a tarifa elevada, o comércio não parou completamente. Cortes de maior valor, incluindo carne Wagyu e Angus com maior marmoreio, continuam chegando aos segmentos premium do varejo e do food service chinês.
Antes de a cota ser atingida, alguns importadores chineses também aumentaram seus estoques de carne australiana para garantir produto durante o restante do ano. A cota será zerada e reiniciada em 1º de janeiro.
Enquanto a China perde participação, os Estados Unidos seguem comprando grandes volumes.
A Austrália embarcou 43,98 mil toneladas para os EUA em agosto, alta de 8% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do ano, o volume já chega a 335,2 mil toneladas, crescimento de 17%.
A demanda americana tem sido sustentada pela baixa produção doméstica e pela ausência de importações de bovinos vivos do México, entre outros fatores. Parte da carne que perdeu espaço no mercado chinês também vem sendo direcionada aos compradores americanos.
Esse movimento, porém, pode enfrentar um novo elemento nos próximos meses: a concorrência brasileira.
Segundo a publicação australiana, o mercado acompanha os possíveis efeitos da retirada temporária da tarifa de 26,4% que incidia sobre determinadas importações brasileiras pelos Estados Unidos. Com o Brasil também próximo de atingir sua cota no mercado chinês, existe a expectativa de maior direcionamento da carne brasileira para os EUA.
Outros mercados asiáticos ajudaram a absorver parte da oferta australiana.
O Japão importou 25,79 mil toneladas em agosto, crescimento de 32% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2026, as compras japonesas chegam a 176,2 mil toneladas, 10% acima de 2025.
Já a Coreia do Sul apresentou movimento semelhante ao observado na China. O país atingiu sua cota anual em 23 de julho, fazendo com que uma tarifa adicional de 24% passasse a incidir sobre a carne australiana.
Como resultado, os embarques caíram de um recorde de 29,07 mil toneladas em julho para 17,69 mil toneladas em agosto, redução de 41% em apenas um mês.
Os números de agosto mostram que a demanda internacional pela carne australiana permanece elevada, mas as barreiras comerciais estão provocando uma redistribuição dos embarques.
China e Coreia do Sul perderam força após o acionamento de tarifas associadas às cotas, enquanto Estados Unidos e Japão ampliaram suas compras.
Para os próximos meses, um dos principais pontos de atenção será justamente o mercado americano. Com a Austrália direcionando volumes maiores aos EUA e a possibilidade de maior presença brasileira, a disputa entre grandes exportadores por espaço no maior mercado consumidor de carne bovina do mundo tende a ganhar importância no restante de 2026.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.