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Trump confirma Brasil e Argentina como principais fornecedores de carne bovina aos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que Brasil e Argentina serão os principais fornecedores de carne bovina dentro da estratégia americana para ampliar a oferta do produto e tentar conter os preços ao consumidor.

Durante evento na Casa Branca, Trump afirmou que a carne está vindo principalmente dos dois países, embora outros fornecedores também possam participar. O presidente também defendeu a qualidade do produto importado, classificando a carne como “muito limpa” e “muito boa”.

A confirmação ocorre depois de o governo americano anunciar medidas para aumentar temporariamente as importações diante de um cenário de oferta doméstica restrita e preços elevados.

Cota adicional de 300 mil toneladas

Segundo a CNN Brasil, a medida anunciada pela Casa Branca prevê uma cota temporária adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra com tarifa reduzida. Até então, o governo americano ainda não havia informado quais países seriam responsáveis pelo fornecimento desse volume adicional.

Trump afirmou, porém, que a abertura será feita de maneira limitada.

“Pode haver outros países, mas agora são principalmente Argentina e Brasil. Estamos fazendo isso de forma muito limitada porque nossos pecuaristas conseguem atender ao mercado”, declarou.

A intenção, segundo o presidente, é aliviar os preços enquanto os produtores americanos trabalham para reconstruir seus rebanhos.

EUA enfrentam menor rebanho em 75 anos

O movimento acontece em um momento particularmente apertado para a pecuária americana.

Segundo a Forbes, os Estados Unidos enfrentam o menor número de cabeças de gado dos últimos 75 anos, depois de anos marcados por secas severas e escassez de água em importantes estados produtores.

Ao mesmo tempo, os preços da carne bovina moída atingiram níveis recordes, enquanto grandes empresas do setor começaram a fechar ou reduzir operações de processamento diante da menor disponibilidade de animais.

É nesse cenário que a carne brasileira e argentina ganha importância para o mercado americano.

Por que os EUA querem carne magra importada?

Há um detalhe importante na estratégia.

A carne importada deverá incluir aparas magras, utilizadas pela indústria americana para serem misturadas com carne doméstica de maior teor de gordura.

Essa combinação permite produzir carne moída com proporções tradicionais no mercado americano, como 80/20 e 90/10.

Portanto, a importação não deve ser vista apenas como uma substituição direta da carne produzida pelos pecuaristas americanos. Parte do produto importado desempenha uma função específica dentro da cadeia de processamento dos Estados Unidos.

Trump chegou a afirmar que a medida poderia resultar em carne vendida aos consumidores com desconto de 25%. Especialistas citados pela Forbes, entretanto, avaliam que é improvável que o aumento das importações tenha impacto significativo sobre a oferta ou os preços.

Pecuaristas americanos reagem

A decisão não passou sem resistência.

Parlamentares republicanos, representantes de importantes estados agrícolas e associações de pecuaristas criticaram o aumento das importações, argumentando que a entrada de produto estrangeiro mais barato pode prejudicar os produtores americanos.

Também surgiram preocupações relacionadas à fiscalização e à segurança dos produtos importados.

Em resposta à pressão, Trump anunciou uma ordem executiva para ampliar a identificação da origem da carne estrangeira. Segundo o presidente, o governo exigirá a indicação do país de origem da carne bovina importada comercializada nos Estados Unidos.

A Forbes relata que produtores americanos também vêm incentivando consumidores a procurar produtos identificados como provenientes de animais criados nos Estados Unidos.

Questões sanitárias também entram no debate

A ampliação das importações ocorre em meio a discussões sobre padrões sanitários.

A Forbes destaca questionamentos envolvendo tanto Brasil quanto Argentina. No caso brasileiro, a reportagem cita restrições europeias relacionadas aos padrões da União Europeia para o uso de antimicrobianos. No caso argentino, menciona episódios relacionados à inspeção de carne destinada aos Estados Unidos e a detecção de cloranfenicol em um carregamento recusado pela China.

Ao anunciar as importações, entretanto, Trump rebateu as preocupações com a qualidade do produto e afirmou que os Estados Unidos mantêm inspetores nos países fornecedores.

“Temos nossos inspetores lá. Ela é muito limpa, é muito boa”, afirmou.

Governo também quer reduzir dependência dos grandes frigoríficos

O aumento das importações faz parte de um pacote mais amplo para o setor pecuário.

Trump também anunciou um programa para permitir que pecuaristas processem e vendam carne diretamente aos consumidores, reduzindo a dependência das grandes empresas de processamento.

Segundo o presidente, o governo pretende simplificar determinadas regulamentações sanitárias e de segurança para facilitar esse processamento, mantendo as inspeções federais.

A estratégia combina, portanto, medidas de curto e longo prazo: ampliar temporariamente a disponibilidade de carne por meio das importações e, ao mesmo tempo, estimular a recuperação da produção e da capacidade de processamento dentro dos Estados Unidos.

Trump afirmou que os pecuaristas americanos já estão reconstruindo seus plantéis e que, à medida que a produção doméstica se recupere, a necessidade de importações deverá diminuir.

Para Brasil e Argentina, porém, a decisão coloca os dois países no centro da estratégia americana justamente em um momento de oferta restrita e preços elevados no maior mercado consumidor de carne bovina do mundo.

Fontes: Forbes e CNN.

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