

Sem vender carne bovina para a China atualmente, uma vez que a cota de importação estabelecida pelo país asiático já foi preenchida, os frigoríficos brasileiros passaram a ter custos mais elevados, afirmou Luciano Pascon, CEO da Frigol, ontem (16) durante evento da Datagro em São Paulo. A razão é que tiveram que ajustar seu processo industrial de carne bovina para atender outros destinos.
“Mesmo tendo outros destinos para fazer [venda de carne bovina], isso encarece o processo industrial. Uma coisa é ter dez clientes na China e produzir no mesmo padrão, outro é ter dez a 15 clientes de outros países e produzir coisas diferentes”, disse o executivo. “Isso aumenta o custo, e o repasse de preços é muito menor. A China é de longe o carro-chefe das nossas margens”, acrescentou.
O país asiático implantou desde o início do ano uma política de cotas de importação de carne com tarifa reduzida. O Brasil preencheu ainda em julho sua cota de 1,106 milhão de toneladas para todo o ano de 2026.
Pascon disse que, a partir do momento em que os importadores chineses voltarem a comprar carne do Brasil para ser contabilizada na cota de 2027, o ideal seria fechar vendas de forma gradual, para “não encharcar o mercado chinês”. A expectativa é que a China volte a fazer compras em outubro, para que o produto chegue aos portos chineses em janeiro.
“Se fizermos isso, haverá uma pressão sobre os preços. Pode até ter uma reação no [preço do] boi, mas seis meses depois a cota se esgota”, afirmou. “O melhor cenário seria distribuir os volumes [de venda] ao longo do ano. Assim conseguiríamos dar segurança ao produtor de que não haveria período de baixa e conseguiríamos preços relativamente elevados com a China”, acrescentou.
O CEO da Plena Alimentos, Paulo Emilio, disse no evento que está preocupado com a demanda doméstica em virtude do endividamento da população. Segundo ele, 60% dos funcionários da empresa contrataram crédito consignado. “É uma preocupação grande para o ano que vem, pode trazer uma surpresa negativa”, disse.
Fonte: Globo Rural.