

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) negocia com entidades representativas do segmento da Argentina, Uruguai e Paraguai uma proposta de divisão da cota de exportação de carne bovina do Mercosul para a União Europeia.
Pela proposta, os países contariam com limites maiores em categorias nas quais têm atuação mais forte. Uruguai e Argentina, por exemplo, exportam mais carne refrigerada, enquanto Brasil e Paraguai, carne congelada, segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa.
“Temos uma proposta de valorizar a capacidade de produção, o histórico de envios [de cada país] à Europa. Países como Uruguai e Argentina têm maior capacidade e histórico [de produção] de carne resfriada. O Brasil está aberto a discutir isso, de eventualmente eles terem um volume [de cota] maior de resfriado e nós, de congelada”, disse Perosa ao Valor. “Acredito que esse é um caminho para tentarmos um acordo”, acrescentou.
A proposta também inclui uma divisão em percentual dos volumes, mas Perosa não quis dar mais detalhes. “É baseada na capacidade produtiva [de cada país], na participação no mercado mundial de carnes e no mercado da Europa”, afirmou.
A Abiec já teve conversas com associações da indústria do Uruguai, Argentina e Paraguai. Na semana passada, um representante da entidade esteve no Uruguai para reuniões com associação local, a Inac. Nesta semana, Perosa está na Argentina para encontros com entidade do país, a ABC.
De acordo com a Abiec, a partir do momento em que as quatro associações chegarem a um consenso, a decisão será validada no Foro Mercosul da Carne (FMC), entidade que reúne representantes das cadeias produtivas dos quatro países, e posteriormente acatada pelos respectivos governos.
O Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul estabeleceu uma cota total de 99 mil toneladas de carne bovina, sendo 55% de resfriada e 45% de congelada, a ser dividida entre os países exportadores do Mercosul. O volume será alcançado apenas no sexto ano de vigência do acordo.
Em 2026, considerado o ano “zero” da implementação, a cota total seria de 16,5 mil toneladas, entre carne bovina resfriada e congelada, mas por ter entrado em vigor em maio, foi considerado o volume proporcional a 8 meses, de 11 mil toneladas. Dentro da cota, a tarifa aplicada é de 7,5%. Em 2027, a cota total sobe para 33 mil toneladas; em 2028, para 49,5 mil toneladas; 2029, 66 mil toneladas; 2030, 82,5 mil toneladas; e em 2031, chega ao volume de 99 mil toneladas.
A divisão da cota entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ainda não está definida. Enquanto argentinos e uruguaios se mostram mais abertos às propostas do Brasil, o Paraguai tem sido mais resistente, demandando que os volumes sejam divididos igualmente entre os quatro países, ou seja, 25% para cada. Apesar disso, Perosa disse acreditar que a questão pode ser resolvida rapidamente.
“O governo [brasileiro] está negociando, o setor privado também, temos alimentado o governo das nossas pretensões. Creio que 30 a 40 dias é um prazo razoável para se chegar a um consenso”, afirmou Perosa.
Fonte: Globo Rural.