Carne bovina de Mato Grosso mira mercado peruano e nova rota para a Ásia pelo Pacífico
29 de setembro de 2026

MT produz 987 mil toneladas de carne e amplia participação nacional

Mato Grosso ampliou a produção de carne bovina no primeiro semestre de 2026 e ganhou participação no mercado nacional. Entre janeiro e junho, o Estado produziu 987,23 mil toneladas, volume 8,88% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Dados consolidados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o crescimento mato-grossense foi mais que o dobro da média brasileira, que avançou 3,98% na mesma comparação.

Com o desempenho, Mato Grosso passou a responder por 18,36% de toda a carne bovina produzida no Brasil. Na prática, quase uma em cada cinco toneladas produzidas no país saiu do Estado.

O resultado não foi provocado apenas pelo aumento do número de animais enviados aos frigoríficos. Um dos principais fatores foi o crescimento do peso médio das carcaças, permitindo produzir mais carne por bovino abatido.

No segundo trimestre, a produção mato-grossense alcançou 494,18 mil toneladas, crescimento de 5,03% sobre igual período de 2025.

Já o número de bovinos abatidos aumentou apenas 1,97% na mesma comparação. A diferença entre os dois indicadores evidencia o efeito do maior peso dos animais sobre a produção.

Carcaças ficam mais pesadas

No acumulado do primeiro semestre, o peso médio das carcaças passou de 263,26 quilos para 272,98 quilos, alta de 3,69%.

São quase dez quilos adicionais de carne por animal.

Segundo a análise do Imea, o movimento foi favorecido pela maior participação dos machos nos abates. Por apresentarem, em média, carcaças mais pesadas, eles contribuíram para elevar a quantidade de carne produzida por cabeça processada.

O comportamento dos abates também sinaliza uma mudança na composição da oferta. O crescimento menor do número de animais enviados às indústrias ocorre em um momento de redução do encaminhamento de fêmeas para o gancho, movimento acompanhado pelo setor diante da disponibilidade de gado.

Assim, mesmo sem expansão dos abates na mesma velocidade observada anteriormente, Mato Grosso conseguiu elevar significativamente sua produção por meio do ganho de peso das carcaças.

Exportações perdem ritmo

Se a produção doméstica apresenta números positivos, os embarques brasileiros começaram setembro em ritmo mais lento.

Dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), referentes aos primeiros 13 dias úteis do mês, mostram que o Brasil exportou 130,31 mil toneladas de carne bovina, movimentando US$ 819,21 milhões.

A média diária ficou em 10,02 mil toneladas, retração de 29,90% na comparação com igual período de 2025.

Mantido esse ritmo nos oito dias úteis restantes considerados na projeção, setembro terminaria com aproximadamente 210,51 mil toneladas exportadas.

A redução do volume, entretanto, está sendo parcialmente compensada pelo aumento do valor da proteína.

O preço médio chegou a US$ 6.286,40 por tonelada, alta de 11,90% em relação ao ano anterior. O ganho nominal foi de US$ 668,60 por tonelada.

China e União Europeia preocupam

O comportamento dos embarques ocorre em meio a dificuldades comerciais em dois importantes mercados para a carne brasileira.

Na China, o ritmo das compras diminuiu após o preenchimento da cota anual de importação. A partir desse limite, volumes adicionais passaram a enfrentar tarifas e impostos alfandegários adicionais, reduzindo a competitividade da proteína brasileira.

Na União Europeia, a suspensão temporária das importações restringiu alternativas de destino, especialmente para cortes de maior valor agregado.

As duas situações obrigam exportadores e frigoríficos a reorganizar os fluxos comerciais justamente no fechamento do terceiro trimestre.

O contraste passa a ser acompanhado de perto pelo setor. Enquanto Mato Grosso consegue produzir mais carne mesmo com crescimento relativamente pequeno dos abates, a capacidade de absorção dos mercados internacionais pode determinar o comportamento dos preços e da demanda pelos animais nos próximos meses.

Por enquanto, os números do primeiro semestre confirmam o ganho de eficiência dentro da porteira: com carcaças 3,69% mais pesadas, Mato Grosso elevou a produção em 8,88% e consolidou participação de 18,36% na produção brasileira de carne bovina.

Fonte: Diário de Cuiabá.

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