
Austrália e Brasil já atingiram seus limites de exportação em 2026, enquanto o Uruguai ainda dispõe de parte de sua cota; possibilidade de redistribuição está em negociação.
Uma parcela ainda não utilizada da cota de carne bovina do Uruguai para a China pode abrir espaço para que a Austrália amplie seus embarques ao mercado chinês nos últimos meses de 2026. A possibilidade está sendo discutida após os australianos atingirem o limite de sua própria cota anual.
Segundo o Beef Central, tanto Austrália quanto Brasil já preencheram suas cotas de exportação para a China em 2026. Com isso, os embarques que excederem esses volumes ficam sujeitos a uma tarifa adicional de 55% até o fim do ano. No caso brasileiro, há ainda uma tarifa adicional de 12%.
O cenário é diferente para o Uruguai. O país recebeu uma cota de 324 mil toneladas para 2026, volume consideravelmente superior às cerca de 190 mil toneladas que havia embarcado para a China em 2025. Com apenas três meses restantes no ano, ainda há uma quantidade significativa dessa cota disponível.
Agora, Austrália e Brasil aparecem entre os grandes exportadores interessados em acordos que permitam utilizar parte desse volume não aproveitado pelos uruguaios.
As cotas fazem parte de uma medida de salvaguarda adotada pela China no início de 2026 com o objetivo de proteger sua indústria doméstica de carne bovina.
A Austrália recebeu uma cota de 205 mil toneladas, mas atingiu esse limite já em 20 de junho. Desde então, o setor australiano vem avaliando alternativas para reduzir os impactos da restrição. Entre elas está justamente a possibilidade de utilizar cotas não aproveitadas por outros países exportadores.
Segundo a publicação, a China já havia sinalizado que poderia considerar esse tipo de solução, desde que o país detentor da cota estivesse disposto a cooperar. A Austrália então procurou o Uruguai e pelo menos outro país exportador que provavelmente não utilizaria integralmente sua cota em 2026.
Tim Ryan, diretor-executivo do Australian Meat Industry Council, afirmou que um pedido foi apresentado ao Uruguai por meio do governo australiano ainda no início do ano, antecipando a possibilidade de que a cota da Austrália se esgotasse.
Agora, segundo Ryan, o Uruguai sinalizou estar aberto a um possível acordo e as partes estão em discussão. Ainda não há, porém, definição sobre quanto da cota poderia ser transferido, quando isso ocorreria ou de que maneira o mecanismo funcionaria.
O Brasil aparece na mesma disputa por espaço adicional no mercado chinês. De acordo com a matéria, os uruguaios também mantêm conversas com o país sobre um possível acordo semelhante.
A publicação ressalta, no entanto, que a Austrália teria apresentado seu pedido antes. Também houve especulações de que o Brasil já poderia ter utilizado parte da cota uruguaia neste ano, mas uma fonte ligada ao comércio afirmou ao Beef Central que não havia confirmação oficial de que isso tivesse ocorrido.
Um dos principais obstáculos é o tempo. As cotas chinesas são zeradas e reiniciadas em 1º de janeiro. Portanto, quanto mais perto do fim de 2026 ocorrer um eventual acordo, menor será seu valor prático para os exportadores. Outro desafio é a definição de um mecanismo que permita efetivamente transferir ou redistribuir a cota entre países.
No caso australiano, existe ainda interesse em saber se carne já armazenada em depósitos alfandegados e destinada à China poderia utilizar uma eventual parcela adicional da cota uruguaia. Parte desses produtos está sendo mantida para embarque após a abertura da nova cota, em janeiro de 2027.
Ryan avalia que conseguir liberar parte desses volumes ainda em 2026 também poderia aliviar a pressão sobre a cota do próximo ano. A expectativa citada pela publicação é de que Austrália e Brasil possam novamente atingir rapidamente seus limites em 2027.
Por enquanto, a possibilidade de utilização da cota uruguaia permanece em negociação e ainda depende da definição de detalhes sobre volume, prazo e funcionamento da eventual redistribuição.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.