
Mais de 70% dos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que tentaram a reeleição saíram vitoriosos das urnas, no domingo (4/10). Na Câmara, houve ampla renovação dos mandatos. No Senado, a bancada ruralista deve se fortalecer ainda mais, com 17 deputados federais conseguindo a eleição e mudando de Casa.
É o que mostra levantamento da Globo Rural e do Valor com base na lista de integrantes do colegiado e nos resultados do primeiro turno consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A composição atual da FPA tem 345 membros, sendo 297 deputados federais e 48 senadores de 19 partidos diferentes. A composição definitiva da FPA a partir de 2027 ainda será formada. Novos parlamentares e outros que retornam ao Congresso poderão aderir à bancada. E há parlamentares que não foram eleitos e os que nem mesmo concorreram nessas eleições.
Integrar a frente, no entanto, não significa se posicionar da mesma forma nas pautas e votações em Brasília. Mas a bancada exerce um papel de organização e orientação técnica elogiadas no Congresso Nacional, o que dá força para a aprovação e defesa de temas de interesse do setor agropecuário. É o maior grupo temático do Parlamento.
Dos 297 deputados que compõem a FPA, 242 buscaram a reeleição nesse domingo e quase 72% conseguiram. Foram reeleitos 174.
Inicialmente, eram 244 os deputados que tentavam a reeleição. Dois deles, no entanto, deixaram a disputa: Gilvan O Federal de Direita (PL), que passou sua candidatura para Lucas O Federal de Direita (PL), eleito com 43,9 mil votos. Geraldo Mendes (União-PR) desistiu durante a campanha.
O chamado núcleo duro da diretoria da FPA foi preservado, apesar de uma baixa significativa que já era certa. Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da bancada, não disputou a eleição. O atual presidente Pedro Lupion (Republicanos-PR) foi reeleito com 190,8 mil votos, o 11º deputado mais votado do Paraná.
O ex-presidente e coordenador institucional da FPA na Câmara, Alceu Moreira (MDB-RS), foi reeleito com mais de 207 mil votos. Zé Vitor, coordenador político na Câmara conseguiu mais um mandato com mais de 145 mil votos.
Nomes atuantes da FPA na pauta do Congresso também foram reeleitos, como Sérgio Souza (MDB-PR), Tião Medeiros (PP-PR), Coronel Fernanda (PL-MT), Pezenti (MDB-SC), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Greyce Elias (PL-MG) e Afonso Hamm (PP-RS).
Entre as principais baixas na Câmara, além de Jardim, estão Luiz Nishimori (PSD-PR) e Zé Silva (União-MG), que não foram eleitos em seus Estados e ficarão como suplentes.
Dos 68 deputados que não alcançaram número suficiente de votos para renovar o mandato na Câmara, 59 ficaram como suplentes, podendo assumir a cadeira caso parlamentares deixem o cargo, e nove não foram eleitos.
Dez deputados da FPA não foram candidatos nessas eleições. Outros 45 tentaram se eleger para outros cargos, dos quais 22 já conseguiram, principalmente para o Senado, para onde foram 17 parlamentares.
Também foram eleitos dois deputados estaduais, um governador e dois suplentes de senadores. Dos 21 que não foram eleitos, dois ficaram como suplentes.
Outros dois continuam em disputa de segundo turno: um para a vice-presidência da República (Alfredo Gaspar) e um para o cargo de governador (Vicentinho Júnior, em Tocantins).
Frente Parlamentar no Senado tem reforços
A composição da FPA no Senado ganhará reforços. Foram 17 deputados e deputadas federais eleitos para um mandato de oito anos na Casa. Entre eles, parlamentares atuantes, como Domingos Sávio (PL-MG) e Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). Também foram eleitos José Medeiros (PL-MT), Marcel van Hattem (Novo-RS), Sanderson (PL-RS) e Caroline de Toni (PL-SC).
Entre os 48 senadores da bancada ruralista em 2026, 15 buscavam a reeleição. Apenas seis conseguiram se manter no cargo. Entre os nove que perderam a eleição, está Zequinha Marinho (Podemos-PA), atual presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
Onze senadores da FPA não disputaram a eleição, pois têm mandatos até 2031, como Tereza Cristina (PP-MS), Jorge Seif (PL-SC) e Jaime Bagatolli (PL-RO), e outros nove decidiram não concorrer e sair de cargos públicos, como Luis Carlos Heinze (PP-RS).
Três senadores se candidataram a outros cargos e foram eleitos no domingo. Cleitinho (Republicanos) e Sergio Moro (PL) vão governar Minas Gerais e Paraná, respectivamente. Nelsinho Trad será suplente de Reinaldo Azambuja (PL-MS) para o Senado.
Outros quatro senadores tentaram sucesso em outros cargos e foram derrotados, como Efraim Filho (PL-PB), Wellington Fagundes (PL-MT) e Wilder Morais (PL-GO), que se candidataram aos governos da Paraíba, Mato Grosso e Goiás, respectivamente. Eles têm mandatos até 2031. Já Roberta Accioly (Republicanos-Roraima) não se elegeu deputada federal e ficou como suplente.
Três senadores da FPA permanecem em disputas para outros cargos no segundo turno: Professora Dorinha (União-TO) para o governo de Tocantins e Alan Rick (Republicanos-AC) no Acre, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República.
Fonte: Globo Rural.