
Com o rebanho bovino dos Estados Unidos em níveis historicamente baixos e a oferta de animais restrita, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou, em 8 de outubro de 2026, duas medidas destinadas a ampliar o acesso a pastagens e fortalecer a receita dos pecuaristas.
As ações combinam mudanças administrativas no uso de áreas federais de pastejo com a distribuição de aproximadamente US$ 1,8 bilhão em pagamentos anuais de conservação, dentro da iniciativa governamental Ranchers First, voltada ao fortalecimento da pecuária americana.
Em uma carta enviada aos produtores que possuem autorizações para utilizar pastagens em terras administradas pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS), a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, detalhou a implementação de uma diretriz publicada em 12 de junho de 2026 para ampliar o uso dessas áreas.
Paralelamente, o USDA anunciou a liberação dos pagamentos do Programa de Reserva de Conservação (CRP), com destaque para sua modalidade voltada às pastagens, que permite manter a atividade pecuária em áreas privadas participantes.
As duas medidas sinalizam uma mudança nas prioridades do governo, com maior ênfase na produção comercial de bovinos e na ampliação da disponibilidade de forragem em terras públicas e privadas.
A nova orientação para o uso de pastagens federais dá continuidade ao plano de fortalecimento da indústria americana de carne bovina, anunciado em 20 de outubro de 2025, e a um acordo firmado em 31 de março de 2026 entre Brooke Rollins e o secretário do Interior, Doug Burgum.
O objetivo é simplificar os processos de autorização para o uso de aproximadamente 97 milhões de hectares de áreas de pastagem administradas pelo Serviço Florestal e pelo Bureau of Land Management (BLM), órgão responsável pela gestão de terras públicas.
Essas áreas atendem mais de 23 mil produtores e arrendatários autorizados a utilizá-las para a atividade pecuária.
Segundo Rollins, o USDA vem trabalhando para oferecer aos pecuaristas as condições necessárias para reconstruir o rebanho bovino nacional.
“Nos últimos 19 meses, o USDA trabalhou incansavelmente para defender e promover os pecuaristas do nosso país e fornecer as ferramentas necessárias para ajudar a reconstruir nosso grande rebanho bovino americano”, afirmou.
A secretária também incentivou os produtores a conhecerem a nova diretriz e colocarem suas orientações em prática nas áreas que utilizam.
A diretriz de junho estabelece ações para aumentar a capacidade de suporte das áreas federais dentro das normas legais e regulatórias existentes.
Uma das principais metas é recuperar pelo menos 500 mil unidades de ocupação animal por mês em terras do Sistema Nacional de Florestas no prazo de dois anos.
A medida utiliza o conceito americano de head-month, empregado para contabilizar a permanência de um animal em uma área de pastagem durante um mês.
Outra determinação é impedir a redução líquida das chamadas unidades animal-mês (Animal Unit Months, ou AUMs) nas áreas de pastejo ativas. Essa unidade representa a quantidade padrão de forragem necessária para manter uma vaca com bezerro durante um mês.
O USDA também pretende reabrir áreas de pastagem atualmente desocupadas ou fechadas, permitindo que voltem a receber animais.
As demais medidas incluem a modernização das estratégias de prevenção, combate e recuperação de incêndios florestais, com incentivo ao uso de tecnologias como cercas virtuais; a redução da burocracia e dos atrasos na renovação das autorizações de pastejo; e o fortalecimento das relações de colaboração entre os órgãos federais e os produtores.
Para enfrentar dificuldades regulatórias e jurídicas, o USDA também orientou os pecuaristas a utilizarem o novo Farmer and Rancher Freedom Framework, canal pelo qual produtores que acreditam estar sendo alvo de ações judiciais ou regulatórias indevidas relacionadas à atividade agrícola podem comunicar os casos diretamente ao departamento.
Enquanto as medidas para terras federais se concentram principalmente nas regiões de pastagens do oeste americano, o programa de conservação em propriedades privadas busca oferecer apoio financeiro e preservar o acesso ao pastejo em todo o país.
A Agência de Serviços Agrícolas (FSA), vinculada ao USDA, está distribuindo aproximadamente US$ 1,8 bilhão em pagamentos anuais do Programa de Reserva de Conservação (CRP) referentes a 2026.
Uma das principais modalidades é o Grassland CRP, voltado à conservação de pastagens produtivas.
Diferentemente de programas que retiram determinadas áreas da produção, essa modalidade oferece pagamentos anuais e auxílio para compartilhar custos de conservação, permitindo que os produtores continuem realizando atividades regulares de pastejo e produção de feno.
Na rodada mais recente de inscrições, a FSA aceitou propostas que abrangem quase 405 mil hectares adicionais de pastagens.
Com essas novas áreas, a modalidade Grassland CRP deverá representar mais de 40% de toda a área inscrita no programa nacional de conservação.
Segundo Brooke Rollins, a iniciativa ajudará a proteger quase 405 mil hectares de pastagens, contribuindo para a recuperação do rebanho bovino americano.
“Essa mudança incentivará um maior crescimento da nossa indústria pecuária, ao mesmo tempo em que preservará os recursos naturais do país”, afirmou a secretária.
Considerando todas as modalidades, o CRP deverá alcançar aproximadamente 10,85 milhões de hectares no início do ano fiscal de 2027.
O total inclui cerca de 890 mil hectares aceitos nas inscrições das modalidades Grassland, General e Continuous.
Os cinco estados que mais receberão pagamentos do CRP em 2026 são Iowa, Illinois, Minnesota, Dakota do Sul e Missouri.
O subsecretário de Produção Agrícola e Conservação, Richard Fordyce, destacou que manter as terras produtivas é fundamental para a vitalidade das comunidades rurais.
“Esses pagamentos de conservação desempenham um papel fundamental ao ajudar os proprietários de terras a preservar e proteger os recursos naturais, ao mesmo tempo em que promovem a conservação de áreas produtivas”, afirmou.
Fordyce ressaltou que a adesão aos programas de conservação tem sido bastante concorrida e que os pagamentos apoiam proprietários interessados em práticas voluntárias de manejo responsável da terra.
Segundo ele, os recursos ajudam os produtores a manter suas atividades, proteger os recursos naturais e apoiar as comunidades rurais.
Para os sistemas de cria e recria, o acesso a forragem com custo acessível e disponibilidade confiável continua sendo um dos principais obstáculos operacionais à expansão do rebanho de matrizes nos Estados Unidos.
Ao tentar recuperar áreas federais de pastagem atualmente sem utilização e, simultaneamente, utilizar o Grassland CRP para oferecer maior estabilidade de receita sem exigir a retirada dos bovinos das pastagens privadas, o governo busca alinhar as políticas de uso das terras públicas e privadas às necessidades da produção comercial de carne bovina.
A combinação das medidas pretende ampliar a disponibilidade de áreas para os animais e melhorar as condições econômicas para que os produtores possam investir na reconstrução do rebanho.
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.