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Suspensão da UE à carne bovina do Brasil é política, diz Abiec

O bloqueio da União Europeia à carne bovina brasileira é político. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa. Para ele, não há justificativa técnica para o Brasil não estar fora da lista de fornecedores do bloco.

“A briga não é comercial. É política. É o atendimento a uma expectativa política dentro do bloco europeu”, disse ele, em entrevista a jornalistas durante o Sial Paris, um dos principais eventos do setor alimentício no mundo, que termina nesta quarta-feira (21), na capital francesa.

Há algum tempo, Roberto Perosa – ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura – vem elevando o tom das críticas aos europeus. Em sua avaliação, o mercado do bloco é complementar ao brasileiro, e de elevado valor agregado.

Apesar de a União Europeia responder por 5% das exportações de carne bovina do Brasil, pontua Perosa, é importante estar entre os seus fornecedores. A região é formadora de preço internacional e de paridade com o mercado interno, além de ser referência regulatória para outros países.

Na visão do presidente da Abiec, autoridades podem tentar proteger um setor por algum tempo, mas há premissas que se impõem com o tempo: necessidade de consumo da população, capacidade produtiva e necessidade de controle dos preços de alimentos.

“Pode tentar proteger por algum período, mas, após isso, a grande maioria da população sem acesso a produtos de qualidade com preço competitivo, cria-se um problema também. Com o decorrer do tempo, os governos vão ver que o Brasil é capacitado para isso”, argumentou.

Histórico

Os europeus excluíram o Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal, medida que entrou em vigor em 3 de setembro. A alegação foi a de falhas no controle do uso de antimicrobianos em rebanhos e planteis de criação.

Na conversa com os jornalistas, Perosa lembrou que, atendendo a um pedido do próprio bloco, a cadeia produtiva da carne bovina reuniu-se e criou um protocolo prevendo maior controle da produção. E o Ministério da Agricultura aceitou o que foi proposto pelo setor privado.

“Estamos totalmente aptos a vender para a União Europeia. O que é inaceitável é não haver uma justificativa do porquê o Brasil não estar listado. Não podemos ficar reféns de uma pessoa na União Europeia”, disse.

A indústria de carne bovina, no entanto, deve levar algum tempo para voltar a vender ao mercado europeu. A auditoria recente de autoridades do bloco concentrou-se nos segmentos de aves e mel, com avaliação positiva. A expectativa é de que haja uma liberação desses segmentos até novembro.

Questionado sobre iniciativas semelhantes na indústria de carne bovina, Roberto Perosa argumentou que o setor já recebeu auditorias e foi aprovado. E que está de portas abertas para as autoridades da União Europeia.

“Se a Europa quiser fazer uma auditoria, é bem-vinda. Não seria empecilho”, disse. “Precisamos de um prazo para a gente se adequar a esse protocolo e não interromper o fluxo comercial”, afirmou.

O presidente da Abiec acrescentou que o próximo governo – seja com a reeleição de Lula (PT) ou a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) – terá que se debruçar sobre o assunto e negociar com o bloco.

Fonte: Globo Rural.

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