
O consumo de carne vermelha apresenta uma mudança de tendência na Austrália. Pela primeira vez em dez anos, o número de consumidores que afirmam estar aumentando a ingestão do alimento superou o daqueles que relatam estar reduzindo seu consumo.
A informação foi apresentada por Michael Crowley, diretor-geral da Meat & Livestock Australia (MLA), durante o evento Cattle Connect 2026, realizado em Wagga Wagga, na Austrália.
Segundo Crowley, o movimento está relacionado principalmente ao crescente interesse dos consumidores por saúde, nutrição e alimentos ricos em proteínas.
“A discussão sobre densidade nutricional é fascinante. O que estamos observando na Austrália, por meio de nossas pesquisas com consumidores, é que, pela primeira vez em uma década, há mais pessoas aumentando o consumo de carne vermelha do que reduzindo, principalmente por razões relacionadas à saúde e à nutrição”, afirmou.
O executivo destacou que essa mudança também está ajudando o setor a conquistar novas gerações de consumidores, especialmente entre os jovens interessados em alimentação, saúde e condicionamento físico.
De acordo com Crowley, o interesse por alimentos ricos em proteínas está influenciando as escolhas dos consumidores e criando novas oportunidades para o setor de carnes.
O executivo mencionou a popularização de medicamentos utilizados para perda de peso, como o Ozempic, e a crescente atenção à ingestão proteica como fatores que fazem parte das mudanças no comportamento alimentar.
Para ele, a carne vermelha possui atributos nutricionais que podem ser mais valorizados nesse cenário.
“Somos uma das fontes mais naturais de proteína, com alta densidade nutricional, diversidade de nutrientes e biodisponibilidade”, afirmou.
Crowley considera que essas características oferecem oportunidades para fortalecer a comunicação sobre a carne bovina, tanto no mercado doméstico australiano quanto nos destinos internacionais.
Segundo o executivo, as novas gerações demonstram grande interesse por temas relacionados à saúde, nutrição e atividade física, o que pode contribuir para ampliar a presença da carne vermelha em diferentes hábitos alimentares.
A pesquisa mencionada pela MLA, entretanto, não teve seus dados detalhados apresentados na reportagem. Portanto, não foram informados os percentuais de consumidores que aumentaram ou reduziram o consumo, nem o tamanho da amostra utilizada.
Além de destacar os atributos nutricionais da carne, a MLA está investindo em iniciativas para ampliar o conhecimento da população sobre a produção de bovinos.
Entre as ações estão o portal Australian Good Meat, a rede Red Meat Ambassador e parcerias com influenciadores digitais que alcançam públicos fora do setor agropecuário.
Crowley destacou uma iniciativa recente na qual um grupo de influenciadores de grandes cidades australianas visitou uma propriedade pecuária da NAPCo.
Durante a visita, os participantes conheceram práticas de manejo, bem-estar animal e cuidados ambientais, antes de participar de uma refeição preparada pelo chef Sam Burke, da MLA.
Segundo o executivo, a experiência gerou mais de 100 conteúdos publicados nas redes sociais, que alcançaram uma estimativa de 70 milhões a 80 milhões de visualizações.
Para Crowley, aproximar os consumidores das propriedades rurais e apresentar a realidade da produção contribui para fortalecer a confiança no setor.
“Quanto mais abertos formos, quanto mais convidarmos as pessoas para conhecer nossos negócios, mais autêntica essa história se torna”, afirmou.
O diretor-geral da MLA também destacou que a indústria australiana de carne bovina enfrenta um ambiente comercial marcado por mudanças nas políticas de importação, tarifas e tensões geopolíticas.
Segundo Crowley, os últimos 18 meses foram caracterizados por alterações expressivas nas condições de comércio internacional, com impactos sobre as cadeias de abastecimento.
Um dos exemplos é a China, onde a Austrália ampliou sua participação no mercado diante de mudanças nas relações comerciais com os Estados Unidos.
Entretanto, o aumento dos embarques levou o país a preencher sua cota de exportação antes do previsto, passando a enfrentar tarifas de importação de 55% para volumes acima do limite estabelecido.
Crowley também mencionou o crescimento da concorrência internacional, incluindo a ampliação do acesso de fornecedores como o Brasil a mercados anteriormente restritos.
Apesar desses desafios, o executivo avalia que a demanda internacional por carne bovina permanece forte.
Entre os mercados destacados estão os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Oriente Médio, além de oportunidades no Sudeste Asiático, onde o crescimento populacional e o aumento da renda das famílias podem favorecer o consumo.
Segundo Crowley, a Austrália tem registrado sinais positivos nos preços dos animais mesmo em um período de produção recorde, apoiada pelas perspectivas de demanda.
A MLA também realizou recentemente uma visita à China para fortalecer o relacionamento com representantes da indústria local de carnes.
A delegação australiana reuniu organizações do setor pecuário e representantes do governo, que participaram de encontros com a Associação Chinesa da Carne e empresas locais.
Crowley relatou que as reuniões permitiram ampliar o diálogo entre os dois países, apesar das dificuldades comerciais provocadas pelas cotas de importação.
Durante a visita, a delegação conheceu um empresário chinês que atua na produção de bovinos, no abate e no setor de restaurantes.
Segundo o executivo, o empresário destacou que as importações australianas complementam a produção doméstica e que os investimentos em promoção da carne australiana ajudam a desenvolver o mercado como um todo.
A visita resultou na assinatura de um memorando de entendimento para fortalecer a colaboração entre representantes dos setores.
Para a indústria australiana, as mudanças no comportamento dos consumidores e a manutenção da demanda internacional representam oportunidades, mesmo diante de um ambiente comercial mais competitivo.
O crescimento do interesse por proteínas, saúde e nutrição também reforça a estratégia da MLA de promover a carne vermelha não apenas por suas características de sabor e qualidade, mas também por seus atributos nutricionais e pela aproximação entre produtores e consumidores.
Fonte: Beef Central.