Avaliação Genética da Raça Marchigiana1
15 de dezembro de 2000
Determinação do período crítico de competição das plantas daninhas na implantação de pastagens de Brachiaria brizantha
15 de dezembro de 2000

Grão de milho ensilado em dietas de alto concentrado para bovinos

Dante Pazzaneze Lanna1 e Alexandre Berndt 2

Normalmente o grão de milho é colhido com cerca de 20% de matéria seca e armazenado em silos após a secagem para que cheguem ao teor de umidade de 13-14%. Este é um processo difícil, com perdas no campo, perdas no transporte, custos de secagem, etc.

Alternativamente, é possível fazer a colheita do grão de milho quando este apresenta por volta de 30-32% de umidade. O alimento produzido é normalmente chamado de grão de alta umidade, ou silagem de grão de alta umidade, uma vez que após a colheita este grão é ensilado.

A utilização do grão de alta umidade na nutrição animal apresenta algumas vantagens agronômicas, tais como: minimização das perdas na colheita, liberação antecipada da área, redução dos custos e tempo gasto com o processo de secagem, entre outras.

Além disto a ensilagem de grãos de milho aumenta a eficiência de conversão alimentar. Experimentos demonstram diminuição no consumo de alimentos e ganhos equivalentes na utilização do milho úmido em relação ao milho seco, com conseqüente melhora da eficiência alimentar. Este tipo de resposta é esperado sempre que o animal já estiver maximizado a sua capacidade de ganho. Revisões apontam melhoras na eficiência alimentar entre 9 e 25%, principalmente com redução de consumo, algo teoricamente consistente quando se aumenta a digestibilidade de uma dieta de alta energia.

Quando o milho seco é substituído pelo milho úmido, em dietas mistas (teor de concentrado próximo a 40%) uma melhora de cerca de 10% na taxa de ganho tem sido observada.

Um experimento recentemente concluído, conduzido em colaboração por pesquisadores da FZEA, IZ e ESALQ utilizou 28 tourinhos Santa Gertrudis, com idade média de 10 meses e peso inicial de 245 kg. Testaram-se os seguintes tratamentos: silagem de milho + milho úmido (Si-MU); silagem de milho + milho seco (Si-MS); bagaço cru + milho úmido (Ba-MU); e bagaço cru + milho seco (Ba-MS). As dietas foram balanceadas segundo o modelo CNCPS (Cornell Net Carbohydrate and Protein System) e continham 88% de concentrado e 12% de volumoso (12% de bagaço ou 20% de silagem de planta de milho com 40% de grãos).

Para ganho de peso, conversão alimentar, rendimento e peso de carcaça (tabela 1) não houve interação significativa entre o tipo de volumoso e o tipo de processamento do milho (Henrique et al., 1999).

Entretanto os resultados demonstram claramente o efeito altamente significativo do volumoso. O bagaço de cana in natura representava 12% da matéria seca da dieta, enquanto a silagem de planta inteira de milho foi utilizada como 20% da matéria seca (silagem esta com 40% de grãos e portanto 60% de contribuição como volumoso). Apesar das dietas terem a mesma proporção de grãos o desempenho foi significativamente melhor para a silagem de planta inteira de milho, com necessidade de 10% menos alimento por kg de ganho de peso.

Com relação ao tipo de milho observou-se também que a conversão alimentar era piorada da ordem de 8-10% quando se utilizou o milho tradicional (seco até 14% de umidade) ao invés de utilizar o milho de alta umidade ensilado.

Tabela 1: Eficiência alimentar, peso da carcaça quente e rendimento de carcaça de tourinhos Santa Gertrudis (Henrique et al., 1999).

Os resultados de composição química corporal e taxas de deposição de constituintes químicos corporais estão apresentados na tabela 2. Estes resultados podem ser utilizados para estimativa das exigências líquidas de energia e proteína para crescimento nas condições deste experimento para animais Santa Gertrudes.

Tabela 2: Composição química corporal e taxas de deposição dos constituintes químicos corporais de tourinhos Santa Gertrudis (Berndt et al., 1999).

Um aspecto importante deste experimento é demonstrar que o bagaço in natura pode ser utilizado como único volumoso em dietas de alto concentrado, embora o desempenho seja significativamente inferior ao obtido com a silagem de planta inteira de milho.

Bulle (2000) avaliando tourinhos cruzados alimentados com dietas de alto teor de concentrado e diferentes níveis de inclusão de bagaço de cana in natura como única fonte de volumoso, observou que houve tendência a maiores taxas de ganho de peso vazio e maior percentagem de extrato etéreo na composição do ganho em dietas com 15% de bagaço in natura , em relação à 9 e 20%.

Trabalhos em andamento no confinamento coordenado pelo Prof. Paulo Leme na FZEA em Pirassununga têm procurado avaliar o bagaço de cana in natura em dietas de alto concentrado para animais Nelore.

Em resumo acreditamos que o milho úmido representa uma tecnologia que terá grande utilidade para aumentar significativamente a eficiência tanto agronômica quanto de conversão de alimentos. O resultado mais óbvio será a importante redução nos custos de produção em confinamento. A redução nos custos relativos da energia digestível proveniente de grãos faz necessário o desenvolvimento de tecnologias e alternativas para uso de dietas com alta proporção de concentrados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HENRIQUE, W.; LEME, P.R.; LANNA, D.P.D. et al. Equações para estimativa da composição química corporal de bovinos Santa Gertrudis a partir do corte da 9-10-11a costelas. In: REUNIÃO DA SBZ, 36, Porto Alegre, 1999. Anais… Porto Alegre:SBZ, 1999.

BERNDT, A.; LANNA, D.P.D.; LEME,P.R. et al. Milho úmido, bagaço de cana e silagem de milho em dietas de alto concentrado 2. Composição corporal e taxas de deposição dos tecidos. In: REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 36, Porto Alegre, 1999. Anais… Porto Alegre:SBZ, 1999.

BULLE, M.L.M. Desempenho, composição corporal e exigências líquidas de energia e proteína de tourinhos de dois tipos genéticos alimentados com dietas de alto teor de concentrado. Piracicaba, SP: ESALQ, 2000. 50p. Dissertação (Mestrado em Produção Animal) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/ Universidade de São Paulo, 2000.

__________________________________________________________
1. Prof. Dr. Dep. Produção Animal, ESALQ/USP
2. Mestrando, Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP

Comments are closed.