MT: frigorífico Pantanal suspende abates
13 de julho de 2010
Burger King cria conceito de restaurante “verde” na Alemanha
13 de julho de 2010

Carne argentina força recuos no mercado russo

Os importadores russos reduziram suas compras de carne uruguaia nas últimas semanas. A presença da carne argentina mais barata que se soma à baixa do euro influenciaram os negócios dos importadores da Rússia. Não somente o Uruguai exporta grande parte de sua carne bovina à Rússia, mas também, o Brasil e o Paraguai.

Os importadores russos reduziram suas compras de carne uruguaia nas últimas semanas. A presença da carne argentina mais barata que se soma à baixa do euro influenciaram os negócios dos importadores da Rússia.

“Nesses dias, a Rússia está muito quieta, compra muito pouco e os preços baixaram entre 5% e 8% devido à queda do euro que segue com uma desvalorização importante”, disse o diretor comercial da empresa Mirasco Food Merchants, Samy Ragi. A empresa realiza normalmente a maior parte dos negócios com carne uruguaia nesse mercado.

Porém, no mercado russo, não somente a queda do euro está levando os importadores a comprar menos carne, mas também, segundo Ragi, “há uma presença aumentada de carne argentina. É a produção de janeiro e de fevereiro desse ano que se voltou ao mercado a preços muito abaixo do preço dos produtos uruguaios”.

Ele estimou que, para o segundo semestre, os importadores russos “farão negócios esporádicos com carne uruguaia”, de forma que a atual tendência deverá continuar.

Não somente o Uruguai exporta grande parte de sua carne bovina à Rússia, mas também, o Brasil e o Paraguai. No momento, não há uma grande presença de carne bovina desses dois países no mercado russo – a essa altura do ano -, porque os abates baixaram. “O problema será quando, a partir da primavera, a produção começar a crescer e a pressão da oferta da carne brasileira e paraguaia for maior”.

Ainda comprando pouco, a Rússia continua sendo o principal comprador de carne bovina uruguaia e comprou um bom volume até agora nesse ano. Praticamente duplicaram as compras de carne bovina no período entre janeiro e maio de 2010 com relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2009 – em junho – tinham sido exportadas 37.389 toneladas peso carcaça, enquanto esse ano, foram exportadas 55.918 toneladas peso carcaça.

Para Ragi, nesses meses, o euro não está ajudando a contar com um mercado russo estável e, para cobrir as baixas dessa moeda, os importadores de carne realizam negócios a prazos muito curtos. A situação contrasta duramente com a registrada no ano passado a essa altura do ano, quando se comprava de forma acelerada e onde a forte demanda de cortes se somava à de miúdos. A maioria dos negócios russos se centra hoje em dianteiros bovinos e recortes de desossado (trimming).

O vice-presidente do Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (INAC), Fernando Pérez Abella, disse que as perspectivas para a carne uruguaia são muito boas. “Até agora, não houve problemas na comercialização e todos os relatórios que temos visto são otimistas e marcam que não haverá problemas na colocação de nossos cortes”.

A baixa do euro também está complicando os negócios no mercado da União Europeia (UE), onde a cadeia de carnes do Uruguai coloca os cortes de maior valor através da cota de 6.300 toneladas, conhecida como cota Hilton. Além dos problemas conjunturais, a sanidade que o país conquistou possibilita ter vários mercados para se defender, buscando os melhores preços.

São mais de 100 os destinos habilitados para o produto e, atualmente, o Uruguai é o único país da região que pode entrar na América do Norte com sua carne fresca, desossada e maturada.

A reportagem é do El País Digital, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Comments are closed.