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14 de janeiro de 2026

A nova potência da carne bovina? Com o Brasil ultrapassando os EUA, veja o que isso significa

O cenário global da carne bovina está passando por uma histórica troca de liderança. De acordo com reportagens recentes da Reuters, o Brasil ultrapassou oficialmente os Estados Unidos como o maior produtor de carne bovina do mundo.

Enquanto a indústria americana enfrenta uma contração significativa do rebanho, a produção brasileira contrariou previsões pessimistas anteriores e assumiu a liderança no cenário global.

Em 2025, a produção de carne bovina dos EUA caiu 3,9%, recuando para 11,8 milhões de toneladas. Em contraste marcante, a produção do Brasil — que analistas do Rabobank esperavam que diminuísse — cresceu 0,5%, alcançando 12,5 milhões de toneladas em equivalente peso-carcaça.

E, como disseram Mike North, da Ever.ag, e Dan Basse, presidente da AgResource Company, ao programa U.S. Farm Report, o crescimento do Brasil não é uma surpresa, mas é algo que está mudando a dinâmica global da indústria da carne bovina.

O motor da alimentação: por que o crescimento do Brasil não é uma surpresa

Para muitos no setor, a ascensão do Brasil é resultado de anos de expansão agrícola agressiva. Mike North, da Ever.ag, observa que a base do sucesso da pecuária brasileira é sua enorme capacidade de produção de grãos.

“As indústrias pecuárias dependem da disponibilidade de ração, e basta olhar o histórico”, explica North. “Eles continuam produzindo safras cada vez maiores a cada ano. Quando olhamos para as exportações, sim, eles se tornaram um parceiro cada vez mais relevante da China, especialmente na nossa ausência, mas também têm produção suficiente para alimentar uma pecuária em expansão.”

North destaca que o sistema brasileiro de dupla safra, com o plantio de soja seguido imediatamente por uma segunda safra de milho (safrinha), criou uma oferta consistente e de alto volume de ração, com a qual os EUA têm encontrado mais dificuldade para competir.

“Os sinais já estavam aí à medida que eles plantam cada vez mais soja e depois preenchem a segunda safra com cada vez mais milho”, diz North. “Os portões estão abertos, e eles simplesmente passam por eles. Isso não chega a ser uma surpresa.”

No entanto, North alerta que volume não é tudo. O Brasil ainda enfrenta desafios na percepção global.

“Será interessante ver como eles vão lidar quando esses animais saírem do confinamento, forem para o processamento, e se conseguirão atender a todas as exigências fitossanitárias que o mundo demanda quando essa carne deixa o país”, explica.

Uma mudança no sentimento do mercado: de otimista para neutro

Nos últimos anos, Basse foi um dos analistas mais otimistas em relação ao mercado de gado. No entanto, a combinação da dominância do Brasil com mudanças nos fatores domésticos o levou a reavaliar sua posição.

“Eu venho sendo otimista há cerca de quatro anos”, admite Basse, “mas estou começando a ver que existem algumas soluções para a restrição do mercado de carne bovina em particular. Minha perspectiva está se tornando um pouco mais neutra, ou digamos, de um mercado com grandes oscilações.”

Basse observa que a carne bovina internacional está cada vez mais preenchendo o vazio deixado pela redução do rebanho americano. Importações do Brasil e da Austrália estão se tornando uma “solução” para os altos preços domésticos, potencialmente limitando novas altas do mercado.

“Quando olhamos para as importações de carne bovina da Austrália e do Brasil, isso será algo que vai manter esse mercado abaixo do pico que atingimos em outubro passado”, afirma Basse. “Eu seria um pouco cauteloso com o gado de reposição, porque, embora as pessoas ainda estejam otimistas, eu estou menos altista em relação ao gado justamente por causa das importações.”

O fator “Ozempic” e a influência do setor de lácteos sobre a oferta

Além do comércio internacional, Basse afirma que mudanças internas no mercado de proteínas dos EUA também estão em curso. Curiosamente, ele observa que, embora a demanda geral por proteínas continue elevada — em parte influenciada por tendências de saúde e medicamentos para perda de peso como o Ozempic —, os EUA estão encontrando novas formas de complementar a oferta de carne bovina.

“Quando olhamos para o rebanho leiteiro, estamos retendo mais animais”, diz Basse. “Estamos vendo mais bezerros cruzados sendo produzidos pela indústria de laticínios. Entre isso e a expansão das importações para os Estados Unidos, o cenário de oferta está mudando.”

Olhando para o horizonte

Embora os números de produção do Brasil sejam o grande destaque, várias incógnitas permanecem para 2025. Basse aponta o próximo relatório de inventário do USDA como um dado crítico que determinará o próximo movimento do mercado. Além disso, ameaças biológicas continuam sendo uma preocupação para o próximo ano.

“O berne é algo com o qual teremos de lidar à medida que avançamos para abril ou maio do próximo ano”, alerta Basse.

Por enquanto, a indústria de gado dos Estados Unidos se encontra em um período de transição, observando um concorrente do sul assumir a liderança enquanto navega por um mercado doméstico que talvez já tenha visto seus picos históricos. Ainda assim, com o rebanho bovino americano permanecendo restrito, o Brasil pode continuar produzindo mais do que os EUA simplesmente pelo fato de que levará anos para que os Estados Unidos reconstruam seu rebanho. E alguns economistas acreditam que o rebanho talvez nunca volte aos níveis máximos que os EUA já tiveram no passado.

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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