
O abate de bovinos criados com certificação orgânica ou sustentável no Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 12% em 2025, para 205,9 mil cabeças, impulsionado pelo maior engajamento dos produtores no programa estadual de incentivo fiscal, segundo Guilherme de Oliveira, diretor executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO).
O crescimento fez com que esses abates representassem 20% de todos os animais abatidos no Estado.
“Eles [produtores] tiveram uma mudança de rumos dentro da propriedade, com muito descarte de matrizes para renovar a plantel. Isso já começou a aumentar um pouco o volume de abate, enquanto outros produtores fecharam o ciclo completo, aumentando também o volume de machos abatidos”, disse o presidente da ABPO.
Atualmente, 115 propriedades em Mato Grosso do Sul recebem incentivo fiscal por cumprirem uma série de requisitos socioambientais. Dentre as principais exigências estão a rastreabilidade, a alimentação dos animais com pastagens nativas do bioma Pantanal, a proibição do uso de antibióticos e outros promotores de crescimento.
Segundo a ABPO, houve um aumento de 7,5% dos abates de machos não castrados, para 95,2 mil animais. “É uma mudança de paradigma. Antigamente se trabalhava muito com os animais castrados para dar uma longevidade no período deles a pasto. Isso começou a ser repensado com número muito maior de machos inteiros aproveitando os hormônios naturais do animal para que ele produza mais carne”, afirmou Oliveira.
Os produtores enquadrados no programa de incentivo do Mato Grosso do Sul podem receber uma isenção de ICMS que pode chegar a 67% para gado orgânico e 50% para sustentável. Ao todo, R$ 24.744.048,41 foram pagos aos produtores enquadrados no programa. Em 2024, o abate de animais no Estado que recebem esse incentivo fiscal foi de 6,3%.
Segundo Oliveira, a ABPO está trabalhando com seus associados para aumentar o cumprimento das exigências socioambientais. Até 2025, era necessário cumprir pelo menos 50% dos critérios de exigibilidade. Para este ano, a previsão é que os pecuaristas sul-mato-grossenses precisem atender a 60% dos critérios. “Esse incentivo do governo do Estado já está pagando a implementação da rastreabilidade”, destaca Oliveira.
Fonte: Globo Rural.