
A capital de um dos maiores países exportadores de carne bovina da Europa votou pela proibição de anúncios de carne, equiparando o produto à indústria de combustíveis fósseis em sua estratégia de combate às mudanças climáticas.
Segundo diversos veículos de imprensa, o conselho municipal de Amsterdã aprovou recentemente a proibição da publicidade de carne, viagens aéreas, cruzeiros e carros movidos a gasolina em espaços públicos — embora os lojistas ainda possam anunciar esses produtos dentro das lojas.
Enquanto Amsterdã proíbe a publicidade de carne, a Europa se torna cada vez mais dependente de importações, à medida que a produção local diminui e os preços sobem nas prateleiras dos supermercados. A Holanda é tradicionalmente um dos maiores exportadores de carne bovina da Europa (ao lado da Irlanda), mas tem registrado o declínio mais acentuado da produção nos últimos anos.
Em escala global, a demanda por carne bovina parece estar em alta, impulsionada pelo crescimento do consumo de proteína entre consumidores preocupados com saúde. Nos Estados Unidos, o país revisou recentemente suas diretrizes alimentares, dobrando a recomendação diária de consumo de carne vermelha.
De acordo com o veículo local NL Times, os supermercados holandeses intensificaram a publicidade de carne no fim do ano passado e reduziram as promoções de produtos vegetarianos.
A carne como tema polarizador na Holanda
A tendência de cidades proibirem a publicidade de carne vem ganhando força na Holanda nos últimos anos. A cidade holandesa de Haarlem proibiu anúncios de carne em espaços públicos em 2022, e desde então várias outras cidades seguiram o mesmo caminho.
Por trás desse movimento estão o partido ambientalista GroenLinks e o partido de defesa dos direitos dos animais Partij voor de Dieren.
Nos últimos anos, a Holanda tem buscado reduzir sua produção de carne bovina, com tentativas repetidas de comprar fazendas para conter o escoamento de nitrogênio — chegando, em determinado momento, a planejar o fechamento de 3.000 propriedades rurais.
Esses planos, no entanto, sempre enfrentaram forte oposição.
Em 2022, agricultores holandeses bloquearam centros de distribuição de supermercados com tratores, despejaram esterco e incendiaram sacos de silagem em protesto contra os planos de compra das fazendas.
Isso levou à formação do movimento BoerBurgerBeweging (BBB), conhecido como movimento do cidadão agricultor, que conquistou várias cadeiras no parlamento — e o partido ainda mantém representação política.
Recentemente, o governo holandês pressionou pela prorrogação do prazo para atingir a meta de redução das emissões de nitrogênio nos próximos cinco anos e agora tenta reformular o esquema de compra de propriedades.
UE cada vez mais dependente de importações
O avanço da legislação ambiental é apontado como um dos principais fatores por trás da crescente dependência da Europa de importações para abastecer os supermercados.
As importações totais da União Europeia de carne bovina fresca e congelada no período de 12 meses até o fim de setembro cresceram 15% (28,5 mil toneladas) na comparação anual, alcançando 223,9 mil toneladas. O Reino Unido permaneceu como o maior fornecedor, com 69,5 mil toneladas no período (-1% na comparação anual).
A maior parte do crescimento das importações europeias de carne bovina neste ano veio da América do Sul. O Brasil aumentou seus volumes em 26% (11,1 mil toneladas), enquanto Argentina e Uruguai ampliaram os embarques em 21% (7,7 mil toneladas) e 32% (7,9 mil toneladas), respectivamente.
A União Europeia também assinou um acordo comercial com um grupo de países sul-americanos (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia), que deve ampliar o acesso da carne bovina desses países ao mercado europeu.
Além disso, a Austrália retomou as negociações para um acordo comercial com a União Europeia.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.