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Após perdas, Minerva Foods volta a lucrar

Foto: Divulgação Minerva

Colhendo os frutos do primeiro ano em operação plena das unidades adquiridas da Marfrig, a Minerva Foods registrou lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025, conforme balanço financeiro divulgado hoje (18/3). No mesmo período de 2024, a companhia, que é a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, havia tido um prejuízo de R$ 1,57 bilhão.

No acumulado de 2025, a Minerva bateu recordes de lucro, receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), superando as expectativas do mercado. O lucro líquido alcançou R$ 848 milhões, após prejuízo de R$ 1,56 bilhão em 2024. O Ebitda foi de R$ 4,8 bilhões, aumento de 54%, e a receita líquida subiu 60,9% para R$ 54,8 bilhões.

Para 2026, no entanto, a empresa admite que virão margens menores, em uma conjuntura pior que a do ano passado.

“O aumento no preço do gado é algo que já vínhamos falando e está dentro do esperado, pelo ciclo, (mas) vemos 2026 com margens piores que 2025 por uma pressão de custo relevante e mais incertezas no mercado internacional”, disse o diretor de finanças e relações com investidores da Minerva, Edison Ticle, a jornalistas.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, acrescenta que esta pressão sobre os custos virá, principalmente, devido aos impactos da guerra no Irã sobre o mercado de petróleo que, por consequência, eleva os valores dos combustíveis e fretes, onerando toda a operação.

Em números, Ticle calcula que a região do conflito no Oriente Médio representa cerca de 7% dos volumes de carne exportados pela companhia e 6% da receita, o que torna o impacto limitado do ponto de vista de fornecimento. Arábia Saudita, Israel e Líbano são os principais compradores de produtos na Minerva nesta área e continuam sendo atendidos por rotas alternativas.

“O principal impacto é aumento de custo de frete por causa do aumento do petróleo, e não só na exportação como em todo o processo. Isso é um efeito mais macro, porque a exposição (vendas) é muito pequena à área do conflito”, afirmou o diretor.

A companhia é mais exposta aos dois maiores destinos da carne bovina do Brasil: China e Estados Unidos.

No caso da China, que representou 27% das exportações da Minerva em 2025, Queiroz ressalta que os embarques da proteína bovina do Brasil ficarão limitados ao tamanho da cota definida pelos chineses após as investigações de salvaguarda. Porém, a empresa pretende se beneficiar das unidades localizadas em outros países da América do Sul para continuar o embarque a tarifas menores.

A investigação de salvaguarda foi definida pelos chineses para proteger a pecuária local, com a aplicação de cotas aos principais fornecedores de carne bovina. Ao Brasil, a cota ficou em 1,1 milhão de toneladas, cerca de 35% abaixo do volume embarcado no ano passado, com tarifa de 12%. Volumes que excederem a cota ficam sujeitos ao pagamento de 55% de taxa, inviabilizando o comércio.

O CEO da Minerva destacou ainda que as unidades da empresa na América do Sul também favorecem a ampliação de vendas aos Estados Unidos, país que abocanhou 19% das exportações da companhia em 2025.

“EUA são um mercado com potencial de crescimento muito bom, olhamos para ele não só com o fornecimento pelo Brasil. A Argentina acabou de ter uma cota (ampliada) para o mercado americano, somos a maior exportadora de carne bovina na Argentina e podemos nos beneficiar da cota”, disse Queiroz.

Mercado interno

Em relação ao mercado interno, a percepção dos executivos da Minerva é que as altas taxas de juros tem feito com que as famílias usem parte de suas rendas para arcar com despesas financeiras, o que limita o espaço para crescer o consumo. Isso apareceu, por exemplo, no quarto trimestre de 2025, quando o consumo cresceu menos do que o esperado pelo frigorífico.

Ainda assim, com 60% do desempenho vindo do mercado externo, a receita líquida da companhia atingiu R$ 14,2 bilhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 32,6% na variação anual. O Ebitda foi de R$ 1,17 bilhão, com avanço de 24%.Próxima

Fonte: Globo Rural.

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