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Aumento na arroba do boi

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), na última semana, no Paraná, a arroba do boi gordo bateu novo recorde, atingindo R$47 a prazo, com um acréscimo de 4,44% em apenas três dias, quando era cotada a R$ 45. A tendência, a curto prazo é de alta, segundo Adélio Ribeiro Borges, técnico do Deral, informando que o mercado paranaense segue o paulista, com diferença para baixo de R$1 a R$2. Em SP, na sexta-feira, a arroba já estava em R$48.

Segundo Borges, o aumento é influenciado pelas vendas externas, que se encontram num dos melhores momentos, e os reflexos no comércio interno, puxados pelos paulistas. A maioria dos animais disponíveis nesta época do ano, provém de confinamentos, o que demanda maiores custos e conseqüentemente, maiores preços nesta época do ano (entressafra). Para o técnico, a disposição dos pecuaristas paulistas, de segurarem animais até se chegar a R$ 50 a arroba, repercute, da mesma forma, no Paraná.

De acordo com Sérgio De Zen, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, a diferença de preços entre os dois estados está relacionada à maior concentração de indústrias exportadoras em São Paulo. Na quinta-feira, conforme informou o Cepea, em regiões paulistas como Marília e São José do Rio Preto a arroba máxima atingia R$48, enquanto que no noroeste paranaense o valor era de R$45 – região em que atua o Deral. O embarque para outros países, geralmente de partes mais nobres, e o direcionamento do restante para o mercado interno a valores mais competitivos, deve causar um período de equilíbrio, informa De Zen. Além disso, em sua opinião, a ocorrência de chuvas poderá provocar um adiantamento da safra, o que tende a provocar retração dos preços.

De acordo com o economista do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne), Gustavo Fanaya, o preço de R$ 45 praticado já está bem acima do que as indústrias paranaenses poderiam pagar para manter o mercado. Não deverão haver novos reajustes, informa Fanaya, reconhecendo, entretanto, que os maiores frigoríficos exportadores, para completar a escala, talvez estejam pagando, em alguns casos, valores acima disso. Este conjunto de informações mexe com a cabeça do pecuarista, que passa a valorizar mais o gado, reduzindo a oferta.

Se depender do pecuarista, o ideal seria que o valor da arroba subisse mais. Para José Antonio Gal Fernandes, dono de um rebanho de 6,2 mil cabeças, em propriedades localizadas em Paranavaí e Amaporã, no Noroeste do Paraná, considerando a média histórica, a arroba valeria atualmente em torno de R$ 60, porque equivaleria a US$ 22. Além disso, destaca Fernandes, o preço praticado até a última sexta-feira era inferior também a outra referência utilizada pelo setor, que diz respeito à reposição do plantel. Anteriormente, um animal gordo (média de 17 arrobas) permitia a troca por 2,5 bezerros; porém, agora, fica em 2,1 bezerros. ´É um quadro complicado´, analisa o pecuarista que, entretanto, considera que a situação do setor ´é razoável´, por dois motivos básicos: ´Não dá prejuízo e existe liquidez´.

Fonte: Gazeta Mercantil (por José Marinho), adaptado por Equipe BeefPoint

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