
A Austrália está a caminho de embarcar um volume recorde de carne bovina resfriada e congelada para a China no mês de março, à medida que exportadores correm para maximizar sua oportunidade antes que a cota de 2026 seja preenchida e tarifas elevadas sejam introduzidas.
De acordo com avisos emitidos na semana passada pelo Ministério do Comércio da China, até 25 de março as importações de carne bovina da Austrália já haviam alcançado 50% da cota de salvaguarda de 2026, de 205 mil toneladas.
O comunicado alertou que a tarifa adicional de 55% será aplicada a partir do terceiro dia após a data em que as importações de carne bovina de um determinado país atingirem sua cota anual de salvaguarda.
A tarifa atual para a carne australiana que entra na China é zero, mas uma taxa de 55% tornaria o comércio da maioria dos produtos para o mercado chinês inviável, segundo fontes do setor exportador.
Agora, espera-se que a Austrália atinja sua cota de 2026 entre meados de maio e início de junho, após o que os produtos anteriormente destinados à China provavelmente terão que encontrar outros mercados.
Até 26 de março, a Austrália já havia embarcado mais de 39 mil toneladas no mês para a categoria “Outros Ásia”, cuja maior parte corresponde ao comércio com a China.
Com os dados mensais de exportação de março prestes a serem divulgados pelo DAFF ainda nesta semana, cresce a expectativa de que a Austrália registre seu maior volume mensal da história para a China neste mês, à medida que exportadores competem para antecipar o limite da cota.
Com base no ritmo atual de embarques, estimativas da analista Expana indicam que o volume final de março pode chegar a cerca de 45.533 toneladas, superando com folga o recorde anterior, registrado em 2019, quando as exportações se aproximaram de 35 mil toneladas durante a liquidação de rebanho causada pela seca.
“Esse pico atual é fundamentalmente diferente”, afirmou a analista da Expana, Junie Lin.
“Em vez de um aumento impulsionado por oferta devido ao clima, o atual crescimento é motivado por uma corrida regulatória para antecipar a nova cota de salvaguarda da China para 2026, implementada em 1º de janeiro.”
A cota da Austrália para 2026 está fixada em 205 mil toneladas, quase 90 mil toneladas a menos do que o volume total exportado no ano passado.
“Embora o acordo de livre comércio entre Austrália e China inicialmente limitasse a tarifa de salvaguarda a 12%, a medida agora está sendo aplicada em 55%. Nesse nível, a conta para a carne australiana na China deixa de fazer sentido praticamente da noite para o dia, e essa ‘corrida para a porta’ explica por que os volumes atingiram níveis extremos nas últimas semanas”, disse Lin.
“Ainda assim, atingir o gatilho da salvaguarda continua sendo um desafio real. A China permanece um mercado único devido ao seu tamanho e à disposição de pagar prêmios por cortes específicos que são mais difíceis de vender em outros mercados. A imposição repentina de uma tarifa de 55% inevitavelmente forçará os exportadores a recalcular suas margens.”
“À medida que 2026 avança, a verdadeira discussão não será apenas quando a cota da China será esgotada, mas como a carne australiana será redirecionada para o restante do mundo quando isso acontecer”, acrescentou Lin.
Analistas que participaram da apresentação de resultados anuais da JBS na semana passada questionaram o impacto da cota da China nas exportações da empresa a partir da Austrália e do Brasil.
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que existem dois cenários distintos em relação ao impacto na Austrália e no Brasil.
“Na Austrália, não esperamos desafios em relação ao que acontecerá após o acionamento da cota na China, porque o país possui uma forte demanda de mercado e presença consolidada no Japão, na Coreia e em todos os mercados asiáticos, além dos Estados Unidos e da Europa.
“Para a Austrália, é mais fácil gerenciar o volume entre esses mercados, portanto não estamos realmente preocupados com essa situação.”
No Brasil, o impacto pode ser mais complexo, segundo Tomazoni.
“Nossa equipe da Friboi (operações de carne bovina da JBS no Brasil) está confiante de que conseguirá entregar resultados este ano em linha com o ano passado”, disse.
“Estamos confiantes nisso porque a demanda global por proteína é alta, especialmente por carne bovina. Esperamos que o Brasil atinja sua cota na China até meados do ano, e, na prática, não sabemos como a China irá lidar com a situação após essas cotas (impostas ao Brasil, Austrália e outros) restringirem a oferta.”
Tomazoni afirmou aos analistas que acredita que alguns países fornecedores de carne para a China provavelmente não conseguirão preencher suas cotas de 2026. “Não podemos especular o que isso significa para outros exportadores, mas isso é um fato”, disse.
Independentemente da situação na China, a JBS Brasil desenvolveu novos mercados internacionais, novas cadeias de venda e vem investindo fortemente em produtos com valor agregado combinados com atendimento ao cliente, acrescentou.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.