Ajuste da produção no inverno e a rentabilidade na pecuária de corte
12 de novembro de 2003
Grande aumento das exportações de carne no Uruguai
12 de novembro de 2003

Baixa procura diminuiu preço do quilo do boi no RS

A desocupação de áreas com soja e a falta de procura por gado de invernar são os fatores responsáveis pelo baixo preço do quilo vivo. A constatação é do presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Fernando Adauto da Silva. “Fora o Frigorífico Mercosul, os demais estão abatendo muito pouco. Por isso, desde maio, o preço do gado de reposição está baixo”, explicou.

Segundo o dirigente, o preço médio do quilo vivo dos terneiros, nos últimos remates da Fronteira-Oeste, chegou a R$ 1,50, mas o levantamento semanal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) aponta média de R$ 1,40 a R$ 1,45 para os terneiros e R$ 1,05 para vacas de invernar na região de Santa Maria.

A Emater revela também queda do preço do boi gordo devido ao aumento da oferta, em conseqüência da rotação das culturas. No Alto Uruguai, o quilo vivo foi calculado em R$ 1,67 e, na Serra Gaúcha, R$ 1,80. Para Adauto, o quilo do boi gordo está reduzido, mas tem-se mantido. “A bolha de oferta em função da desocupação pela soja acabou. O que tinha de baixar, já baixou”, comentou.

A alternativa de abater o gado em frigoríficos no Uruguai encontra resistência dos produtores do país vizinho, os quais estabeleceram uma reserva de mercado. O preço atrativo do produto gaúcho, porém, tem ocasionado operações de contrabando. “A diferença do quilo vivo entre o boi uruguaio e o nosso é espetacular: R$ 1”, revelou Adauto.

Outro problema é competir com o Brasil Central. Na semana passada, a Farsul apresentou estudo à Secretaria da Fazenda para conter a entrada de carne de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, livres de tarifação. Para burlar a fiscalização, que sobretaxou o produto daquela região, são emitidas notas fiscais de outros estados. “Não houve conclusão. Haverá reunião hoje”, observou.

Na ocasião, o governo propôs aumentar o valor da pauta da carne, que estaria defasado no varejo. Isso pode implicar aumento da carga tributária, avaliou o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do RS (Sicadergs), Mauro Lopes.

Fonte: Correio do Povo/RS, adaptado por Equipe BeefPoint

Comments are closed.