

O Banco do Brasil espera desembolsar as primeiras operações do Caminho Verde Brasil, destinado a recuperação de pastagens degradadas com recursos do segundo leilão do Ecoinvest, neste primeiro semestre. O programa tem meta de recuperar até 40 milhões de hectares com algum grau de degradação em dez anos.
Em dezembro de 2025, o BB recebeu a primeira tranche de recursos do Tesouro Nacional, de R$ 1,05 bilhão, para empréstimo aos agricultores. A carteira para desembolsos já foi mapeada e está concentrada em grandes produtores, para contratação de forma direta. O banco também estuda operacionalizar os financiamentos por meio de um fundo e por “empresas-âncoras”, como frigoríficos e companhias que atuam com reflorestamento, informou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt.
O total de investimentos do BB no programa deverá ser de R$ 6,8 bilhões, com R$ 4,1 bilhões de capital catalítico do Tesouro e R$ 2,7 bilhões de recursos próprios mobilizados no leilão do Ecoinvest, em 2025. A previsão é alcançar a recuperação de 275 mil hectares degradados em todos os biomas. O banco lidera a indicação de alocação na Caatinga, Amazônia, Pampa e Pantanal.
“Seguimos na estruturação das soluções para o atendimento das demandas. A expectativa e os esforços continuam direcionados para um portfólio mais amplo, que vai desde operações diretas com produtores rurais, até estruturas mais complexas de mercados de capitais”, informou o BB, em nota enviada à reportagem.
Em conversa com jornalistas em dezembro do ano passado, Bittencourt já havia relatado a complexidade da linha. “Não é um simples desembolso de recursos, tem monitoramento e todo o controle para entregar aquela quantidade de hectares, demonstrar a captura de carbono e todo o processo de monitoramento ao longo da operação”, disse.
O executivo ressaltou que a linha não será oferecida diretamente a pequenos e médios produtores, que têm acesso a linhas do Plano Safra com juros compatíveis e menor exigência de monitoramento. “Vamos buscar operações diretas com produtores de maior porte. Pequenos e médios continuarão atendidos nos programas existentes”, disse.
O vice-presidente do BB considera a possibilidade de atender produtores de médio porte por meio de operações indiretas, realizada por empresas com ampla base de clientes que farão a distribuição dos recursos. “Até pode acontecer, mas de forma indireta. Se houver um acordo com uma grande empresa que, na sua base, tenha produtores médios e grandes, ela pode fazer esse ajuste. Estamos buscando possibilidades com empresas amplas que atuem e façam essa distribuição”, afirmou.
Bittencourt disse que os recursos podem ser distribuído por meio de frigoríficos a pecuaristas interessados na recuperação de suas pastagens e empresas de reflorestamento, que têm relação direta com produtores. Estão no radar também operações via fundos. A discussão é se serão usadas estruturas próprias do banco ou de parceiros com experiência para organizar o fluxo financeiro com o controle e acompanhamento necessários para verificação da recuperação das áreas financiadas.
Fonte: Globo Rural.