O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) recorreu à Câmara Arbitral do Mercado de Capitais da Bovespa para tentar recuperar R$ 250 milhões que investiu na compra de participação no frigorífico Independência em novembro de 2008, pouco antes de a empresa de carnes entrar com pedido de recuperação judicial na Justiça.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) recorreu à Câmara Arbitral do Mercado de Capitais da Bovespa para tentar recuperar R$ 250 milhões que investiu na compra de participação no frigorífico Independência em novembro de 2008, pouco antes de a empresa de carnes entrar com pedido de recuperação judicial na Justiça.
Desde o ano passado, a área jurídica da instituição de fomento move processo para tentar convencer os controladores do Independência a fazer uma recompra das ações do frigorífico em poder do banco e que representam entre 11% e 13% do capital da empresa.
Procurado, o banco não se manifestou, mas uma fonte do setor de carne bovina informou que o objetivo do BNDES, com o processo, é sair do capital do frigorífico. Por isso, disse, os controladores do Independência buscam um investidor para comprar a fatia do banco no frigorífico, o que indica que há disposição para um acordo entre as partes na câmara arbitral.
A iniciativa do BNDES de dar entrada com o processo em uma corte especializada, o que ocorreu há 40 dias, apoia-se em cláusula do acordo de acionistas do Independência, que permite às partes exercer o “direito de regresso (recompra)” das ações. A cláusula de “regresso de ações” do acordo de acionistas é acionada quando um dos sócios não cumpre condições acertadas para assegurar o sucesso da sociedade, como foi o caso do pedido de recuperação judicial do frigorífico, que surpreendeu o banco. Na ocasião, o BNDES se preparava, através da BNDESPar, para fazer um segundo aporte de capital de R$ 200 milhões no frigorífico, o que totalizaria uma subscrição de ações na empresa de R$ 450 milhões ou 30% do capital.
Em comunicado, datado de 2 de março de 2009, o BNDES informou sobre a suspensão da segunda operação de subscrição de ações da empresa, que de acordo com a nota “estava condicionada ao cumprimento de determinadas condições, as quais não se verificaram”. Também esclareceu no texto que o primeiro aporte de capital para o Independência ocorreu quando o frigorífico apresentava “confortável posição de caixa”.
De acordo com essa fonte, os controladores do Independência já negociam a venda da participação do BNDES com terceiros e até mesmo uma fatia maior, dos próprios controladores, poderia entrar no negócio. Depois de uma forte crise em 2008, diz, o setor de carne bovina está melhorando, com crescimento do mercado interno e aumento de preços no exterior. Portanto, um bom momento para buscar a recuperação.
Procurado, o presidente do Independência, Tobias Bremer, disse que não comentaria o processo do BNDES.
Em recuperação judicial desde novembro, a empresa vem tentando obter recursos para pagar os credores. Em março, conseguiu emitir um eurobônus de US$ 165 milhões no mercado internacional, e com ele pagou dívidas com pecuaristas e outros fornecedores que venciam em 31 de março, conforme previsto no plano de recuperação. O recurso também foi usado para capital de giro.
No total, as dívidas do Independência com credores chegavam a R$ 3 bilhões. No plano de recuperação, os credores financeiros (com créditos de R$ 2 bilhões) perdoaram 50% das dívidas. Mas ficou definido que se houver venda do controle, estes terão direito a um bônus de subscrição, uma espécie de ação do frigorífico. Nesse caso, 50% do valor da operação será dividido entre os credores financeiros.
A matéria é de Vera Saavedra Durão e Alda do Amaral Rocha, publicada no Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.
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Para mim a historia está sendo muito mal contado tanto por parte do Independencia como tambem por parte do BNDES. e a gente tem que se perguntar se não é um caso de policia em vez de recuperação judicial.
Questões como “Quem fez o que, quando e em que lugar e em quais moedas” não foram respondidos de maneira que eu posso entender alguma coisa sobre o que houve e o que está acontecendo agora com os controladores no comando. Para quem estes prestam contas no final?
Tenho a impressão que O BNDES está querendo fugir da raia e apagar assim a sua entrada como acionista da Independencia.
Será que a venda de ações é o caminho certo?
Pessoalmente ache que não.
Espero que o Independência dê a volta por cima e volte a operar todas as suas unidades. É importante para o pecuarista ter o maior número de opções na hora de vender seus animais e em algumas praças a situação atual é crítica.
Att,
É a farra do dinheiro público mesmo. Como uma empresa a beira da falência apresentava “confortável posição de caixa”?? É claro que enganaram o bobo. Para piorar ainda mais, o BNDES aporta uma parte do dinheiro e não coloca a segunda, aí que vai tudo por água abaixo mesmo. Claro que o Independência deveria ter cumprido com sua parte e não cumpriu, mas isso está no primeiro erro do BNDES, confiou em corda podre.
Agora quer sair fora, sim é fácil, nem vou falar sobre o deságio, muito menos perguntar quem vai pagar a conta… alguém arrisca um palpite?
E pensar que tem tantas empresas boas, com bons produtos, boas idéias e muitas vezes não tem o apoio necessário.